{"id":11638,"date":"2022-02-02T11:55:00","date_gmt":"2022-02-02T14:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=11638"},"modified":"2022-02-02T11:55:00","modified_gmt":"2022-02-02T14:55:00","slug":"o-apartheid-de-israel-contra-palestinos-um-sistema-cruel-de-dominacao-e-um-crime-contra-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=11638","title":{"rendered":"O apartheid de Israel contra palestinos: um sistema cruel de domina\u00e7\u00e3o e um crime contra a humanidade"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Anistia Internacional<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Em 02.02.2022<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Em novo relat\u00f3rio, Anistia Internacional detalha a opress\u00e3o sistem\u00e1tica de Israel contra o povo palestino e cobra a\u00e7\u00e3o da comunidade internacional sobre \u2018crime de apartheid contra a humanidade\u2019.<\/strong><\/p>\n<p>As autoridades israelenses devem ser responsabilizadas por cometer o crime de apartheid contra o povo palestino, disse hoje a Anistia Internacional em um novo relat\u00f3rio revelador. A investiga\u00e7\u00e3o detalha como Israel imp\u00f5e um sistema de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o contra o povo palestino onde quer que possa ter controle sobre seus direitos. Isso inclui palestinos que vivem em Israel e nos <em>Territ\u00f3rios Palestinos Ocupados (<strong>TPOs<\/strong>)<\/em>, bem como refugiados deslocados em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/documents\/mde15\/5141\/2022\/en\/\"><strong>\u201cApartheid de Israel contra os Palestinos: Sistema Cruel de Domina\u00e7\u00e3o e Crime contra a Humanidade\u201d <\/strong><\/a>\u00a0discorre sobre como as apropria\u00e7\u00f5es massivas de terras e propriedades palestinas, assassinatos ilegais, migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, restri\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas de movimento e a nega\u00e7\u00e3o de nacionalidade e cidadania aos palestinos s\u00e3o todos componentes de um sistema que equivale ao apartheid sob o direito internacional. Este sistema \u00e9 mantido por viola\u00e7\u00f5es que a Anistia Internacional considera como<strong> crime de apartheid contra a humanidade<\/strong>, conforme definido no Estatuto de Roma e na Conven\u00e7\u00e3o do Apartheid.<\/p>\n<p>A\u00a0 Anistia Internacional est\u00e1 pedindo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que considere o crime de apartheid em sua atual investiga\u00e7\u00e3o no TPO e pede a todos os estados que exer\u00e7am jurisdi\u00e7\u00e3o universal para levar os autores de crimes de apartheid \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cNosso relat\u00f3rio revela a verdadeira extens\u00e3o do regime de apartheid de Israel. Em Gaza, em Jerusal\u00e9m Oriental e no resto da Cisjord\u00e2nia, ou em Israel, os palestinos s\u00e3o tratados como um grupo racial inferior e sistematicamente privados de seus direitos. Descobrimos que as pol\u00edticas cru\u00e9is de segrega\u00e7\u00e3o, expropria\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o de Israel em todos os territ\u00f3rios sob seu controle claramente equivalem ao apartheid. A comunidade internacional tem a obriga\u00e7\u00e3o de agir.\u201d disse Agn\u00e8s Callamard, Secret\u00e1ria-Geral da Anistia Internacional.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 justificativa poss\u00edvel para um sistema constru\u00eddo em torno da opress\u00e3o racista institucionalizada e prolongada de milh\u00f5es de pessoas. O Apartheid n\u00e3o tem lugar em nosso mundo, e os estados que optarem por fazer concess\u00f5es a Israel se encontrar\u00e3o no lado errado da hist\u00f3ria. Os governos que continuam a fornecer armas a Israel e a proteg\u00ea-lo da responsabilidade na ONU est\u00e3o apoiando um sistema de apartheid, minando a ordem jur\u00eddica internacional e exacerbando o sofrimento do povo palestino. A comunidade internacional deve enfrentar a realidade do apartheid de Israel e encontras caminhos para a justi\u00e7a, caminhos esses que permanecem vergonhosamente inexplorados\u201d. Afirmou Callamard.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>\u201cN\u00e3o h\u00e1 justificativa poss\u00edvel para um sistema constru\u00eddo em torno da opress\u00e3o racista institucionalizada e prolongada de milh\u00f5es de pessoas. O Apartheid n\u00e3o tem lugar em nosso mundo, e os estados que optarem por fazer concess\u00f5es a Israel se encontrar\u00e3o no lado errado da hist\u00f3ria\u201d\u00a0 Agn\u00e8s Callamard, Secret\u00e1ria-Geral da Anistia Internacional<\/strong><\/em><\/p>\n<p>As descobertas da Anistia Internacional se baseiam em um crescente corpo de trabalho de ONGs palestinas, israelenses e internacionais, que t\u00eam aplicado cada vez mais a estrutura do apartheid \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em Israel e\/ou nos TPO.<\/p>\n<h3><strong>Identificando o apartheid<\/strong><\/h3>\n<p>Um sistema de apartheid \u00e9 um regime institucionalizado de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o de um grupo racial sobre outro. Trata-se de uma grave viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, proibida pelo direito internacional p\u00fablico. A extensa pesquisa e an\u00e1lise legal da Anistia Internacional, realizada em consulta com especialistas externos, demonstra que<strong> Israel imp\u00f5e tal sistema contra os palestinos por meio de leis, pol\u00edticas e pr\u00e1ticas que garantem seu tratamento discriminat\u00f3rio prolongado e cruel.<\/strong><\/p>\n<p>No direito penal internacional, atos il\u00edcitos espec\u00edficos cometidos dentro de um sistema de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o, com a inten\u00e7\u00e3o de mant\u00ea-lo, constituem-se como crime de apartheid, um crime contra a humanidade. Esses atos est\u00e3o previstos na <em>Conven\u00e7\u00e3o do Apartheid <\/em>e no <em>Estatuto de Rom<\/em>a e incluem assassinato ilegal, tortura, migra\u00e7\u00f5es e transfer\u00eancia for\u00e7ada e a nega\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional documentou atos proscritos na Conven\u00e7\u00e3o do Apartheid e no Estatuto de Roma em todas as \u00e1reas controladas por Israel, embora ocorram com mais frequ\u00eancia e viol\u00eancia nos TPO do que em Israel. As autoridades israelenses decretam v\u00e1rias medidas para negar deliberadamente aos palestinos seus direitos e liberdades b\u00e1sicos, incluindo restri\u00e7\u00f5es draconianas de movimento nos TPOs, subinvestimento discriminat\u00f3rio cr\u00f4nico nas comunidades palestinas em Israel e a nega\u00e7\u00e3o do direito de retorno dos refugiados. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m documenta transfer\u00eancia for\u00e7ada, deten\u00e7\u00e3o administrativa, tortura e assassinatos ilegais, tanto em Israel quanto no TPO.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional constatou que esses atos fazem parte de um ataque sistem\u00e1tico e generalizado contra a popula\u00e7\u00e3o palestina e s\u00e3o cometidos com a inten\u00e7\u00e3o de manter o sistema de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Constituem, portanto, o crime de apartheid, contra a humanidade.<\/p>\n<p>O assassinato ilegal de manifestantes palestinos \u00e9 talvez a ilustra\u00e7\u00e3o mais clara de como as autoridades israelenses realizam atos proibidos para manter o status quo. Em 2018, os palestinos em Gaza come\u00e7aram a realizar protestos semanais ao longo da fronteira com Israel, pedindo o direito de retorno dos refugiados e o fim do bloqueio. Antes mesmo de os protestos come\u00e7arem, altos funcion\u00e1rios israelenses alertaram que os palestinos que se aproximassem do muro seriam fuzilados. At\u00e9 o final de 2019, as for\u00e7as israelenses haviam matado 214 civis, incluindo 46 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c0 luz dos sistem\u00e1ticos assassinatos ilegais de palestinos documentados em seu relat\u00f3rio, <strong>a Anistia Internacional tamb\u00e9m est\u00e1 pedindo ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU que imponha um embargo de armas abrangente a Israel<\/strong>. Isso deve abranger todas as armas e muni\u00e7\u00f5es, bem como equipamentos de aplica\u00e7\u00e3o da lei, considerando os milhares de civis palestinos que foram mortos ilegalmente pelas for\u00e7as israelenses. O Conselho de Seguran\u00e7a tamb\u00e9m deve impor san\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como congelamento de bens, contra funcion\u00e1rios israelenses mais implicados no crime de apartheid.<\/p>\n<div id=\"attachment_34879\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<figure id=\"attachment_34879\" aria-describedby=\"caption-attachment-34879\" style=\"width: 904px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34879\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281501-1024x674.jpg?resize=640%2C421&#038;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 904px) 100vw, 904px\" srcset=\"https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281501-1024x674.jpg 1024w, https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281501-300x197.jpg 300w, https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281501-768x505.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"421\" aria-describedby=\"caption-attachment-34879\" data-pagespeed-url-hash=\"3101157979\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34879\" class=\"wp-caption-text\">Palestinos avaliam os danos causados por ataques a\u00e9reos israelenses, em Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza, em 14 de maio de 2021. (Photo by MAHMUD HAMS\/AFP via Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h3><strong>Palestinos tratados como uma amea\u00e7a demogr\u00e1fica<\/strong><\/h3>\n<p>Desde o seu estabelecimento em 1948, Israel tem seguido uma pol\u00edtica de estabelecer e manter uma maioria demogr\u00e1fica judaica e maximizar o controle sobre a terra e os recursos para beneficiar os judeus israelenses. Em 1967, Israel estendeu essa pol\u00edtica para a Cisjord\u00e2nia e a Faixa de Gaza. Hoje, todos os territ\u00f3rios controlados por Israel continuam sendo administrados com o objetivo de beneficiar os judeus israelenses em detrimento dos palestinos, enquanto os refugiados palestinos continuam sendo exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional reconhece que os judeus, como os palestinos, reivindicam o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o desafia o desejo de Israel de ser um lar para os judeus. Da mesma forma, n\u00e3o considera que Israel rotular-se de \u201cEstado judeu\u201d em si indique uma inten\u00e7\u00e3o de oprimir e dominar.<\/p>\n<p>No entanto, o relat\u00f3rio da Anistia Internacional mostra que sucessivos governos israelenses consideraram os palestinos uma amea\u00e7a demogr\u00e1fica e impuseram medidas para controlar e diminuir sua presen\u00e7a e acesso \u00e0 terra em Israel e nos TPOs<strong>.<\/strong> Esses objetivos demogr\u00e1ficos s\u00e3o bem ilustrados pelos planos oficiais de \u201cjudaizar\u201d \u00e1reas de Israel e da Cisjord\u00e2nia, incluindo Jerusal\u00e9m Oriental, que continuam a colocar milhares de palestinos em risco de deslocamentos for\u00e7ado.<\/p>\n<h3><strong>Opress\u00e3o sem fronteiras<\/strong><\/h3>\n<p>As guerras de 1947-49 e 1967, o governo militar em curso nos Territ\u00f3rios Ocupados por Israel e a cria\u00e7\u00e3o de regimes jur\u00eddicos e administrativos separados dentro do territ\u00f3rio separaram as comunidades palestinas e as segregaram dos judeus israelenses. Os palestinos foram fragmentados geograficamente e politicamente e sofrem diferentes n\u00edveis de discrimina\u00e7\u00e3o, dependendo de seu status e de onde vivem.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3os palestinos em Israel atualmente desfrutam de maiores direitos e liberdades do que seus pares nos TPO, enquanto a experi\u00eancia dos palestinos em Gaza \u00e9 muito diferente daquela dos que vivem na Cisjord\u00e2nia. No entanto, a pesquisa da Anistia Internacional mostra que todos os palestinos est\u00e3o sujeitos ao mesmo sistema abrangente. O tratamento de Israel aos palestinos em todas as \u00e1reas est\u00e1 de acordo com o mesmo objetivo: privilegiar os judeus israelenses na distribui\u00e7\u00e3o de terras e recursos e minimizar a presen\u00e7a palestina e o acesso \u00e0 terra.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional demonstra que as autoridades israelenses tratam os palestinos como um grupo racial inferior, definido por seu status de n\u00e3o-judeu e \u00e1rabe. <strong>Essa discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e9 cimentada em leis que afetam os palestinos em Israel e nos TPOs.<\/strong><\/p>\n<p>Por exemplo, aos cidad\u00e3os palestinos de Israel \u00e9 negada uma nacionalidade, estabelecendo uma diferencia\u00e7\u00e3o legal dos judeus israelenses. Na Cisjord\u00e2nia e em Gaza, onde Israel controla o registro populacional desde 1967, os palestinos n\u00e3o t\u00eam cidadania e a maioria \u00e9 considerada ap\u00e1trida, exigindo carteiras de identidade dos militares israelenses para viver e trabalhar nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Os refugiados palestinos e seus descendentes, que foram deslocados nos conflitos de 1947-49 e 1967, continuam sem o direito de retornar aos seus antigos locais de resid\u00eancia. A exclus\u00e3o de refugiados de Israel \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o flagrante do direito internacional que deixou milh\u00f5es em um limbo perp\u00e9tuo de deslocamento for\u00e7ado.<\/p>\n<p>Os palestinos em Jerusal\u00e9m Oriental anexada recebem resid\u00eancia permanente em vez de cidadania \u2013 embora esse status seja permanente apenas no nome. <strong>Desde 1967, mais de 14.000 palestinos tiveram sua resid\u00eancia revogada a crit\u00e9rio do Minist\u00e9rio do Interior,<\/strong> resultando em sua transfer\u00eancia for\u00e7ada para fora da cidade.<\/p>\n<h3><strong>Cidad\u00e3os de segunda classe<\/strong><\/h3>\n<p>Cidad\u00e3os palestinos de Israel, que representam cerca de 19% da popula\u00e7\u00e3o, enfrentam muitas formas de discrimina\u00e7\u00e3o institucionalizada. Em 2018, a discrimina\u00e7\u00e3o contra os palestinos foi cristalizada em uma lei constitucional que, pela primeira vez, <strong>consagrou Israel exclusivamente como o \u201cestado-na\u00e7\u00e3o do povo judeu\u201d<\/strong>. A lei tamb\u00e9m promove a constru\u00e7\u00e3o de assentamentos judaicos e rebaixa o status do \u00e1rabe como l\u00edngua oficial.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio documenta como os palestinos s\u00e3o efetivamente impedidos de arrendar 80% das terras do Estado de Israel, como resultado de apropria\u00e7\u00f5es racistas de terras e uma rede de leis discriminat\u00f3rias sobre aloca\u00e7\u00e3o de terras, planejamento e zoneamento.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Negev\/Naqab, no sul de Israel, \u00e9 um excelente exemplo de como as pol\u00edticas de planejamento e constru\u00e7\u00e3o de Israel excluem intencionalmente os palestinos. Desde 1948, as autoridades israelenses adotaram v\u00e1rias pol\u00edticas para \u201cjudaizar\u201d o Negev\/Naqab, incluindo designar grandes \u00e1reas como reservas naturais ou zonas de tiro militar e estabelecer metas para aumentar a popula\u00e7\u00e3o judaica. Isso teve consequ\u00eancias devastadoras para as dezenas de milhares de bedu\u00ednos palestinos que vivem na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Trinta e cinco aldeias bedu\u00ednas, que abrigam cerca de 68.000 pessoas, est\u00e3o atualmente \u201cn\u00e3o reconhecidas\u201d por Israel<strong>, o que significa que est\u00e3o cortadas do fornecimento nacional de eletricidade e \u00e1gua e s\u00e3o alvo de repetidas demoli\u00e7\u00f5es<\/strong>. Como as aldeias n\u00e3o t\u00eam status oficial, seus moradores tamb\u00e9m enfrentam restri\u00e7\u00f5es \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e s\u00e3o exclu\u00eddos dos sistemas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Essas condi\u00e7\u00f5es coagiram muitos a deixar suas casas e aldeias, o que equivale a uma transfer\u00eancia for\u00e7ada.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas de tratamento deliberadamente desigual dos cidad\u00e3os palestinos de Israel os deixaram em desvantagem econ\u00f4mica consistente em compara\u00e7\u00e3o aos judeus israelenses. Isso \u00e9 exacerbado pela aloca\u00e7\u00e3o flagrantemente discriminat\u00f3ria de recursos estatais: <strong>um exemplo recente \u00e9 o pacote de recupera\u00e7\u00e3o do Covid-19 do governo, do qual apenas 1,7% foram entregue \u00e0s autoridades locais palestinas.<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Desapropria\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>A desapropria\u00e7\u00e3o e o deslocamento de palestinos de suas casas \u00e9 um pilar crucial do sistema de apartheid de Israel. Desde o seu estabelecimento, o Estado israelense imp\u00f4s apreens\u00f5es de terras maci\u00e7as e cru\u00e9is contra os palestinos e continua a implementar uma infinidade de leis e pol\u00edticas para for\u00e7ar os palestinos a pequenos enclaves. Desde 1948, Israel demoliu centenas de milhares de casas e outras propriedades palestinas em todas as \u00e1reas sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o e controle efetivo.<\/p>\n<p>Como no Negev\/Naqab, os palestinos em Jerusal\u00e9m Oriental e na \u00c1rea C do TPO vivem sob total controle israelense. As autoridades negam licen\u00e7as de constru\u00e7\u00e3o aos palestinos nessas \u00e1reas, for\u00e7ando-os a construir estruturas ilegais que s\u00e3o demolidas repetidamente.<\/p>\n<p>Nos TPO, <strong>a cont\u00ednua expans\u00e3o dos assentamentos ilegais israelenses agrava a situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. A constru\u00e7\u00e3o desses assentamentos nos TPOs \u00e9 uma pol\u00edtica do governo desde 1967. Os assentamentos hoje cobrem 10% das terras na Cisjord\u00e2nia, e cerca de 38% das terras palestinas em Jerusal\u00e9m Oriental foram expropriadas entre 1967 e 2017.<\/p>\n<p>Os bairros palestinos em Jerusal\u00e9m Oriental s\u00e3o frequentemente alvos de organiza\u00e7\u00f5es de agricultores e colonos que, com total apoio do governo israelense<strong>,<\/strong> trabalham para desalojar fam\u00edlias palestinas e entregar suas casas<strong>.<\/strong> Um desses bairros, Sheikh Jarrah, tem sido palco de protestos frequentes desde maio de 2021, enquanto as fam\u00edlias lutam para manter suas casas sob a amea\u00e7a de um processo judicial.<\/p>\n<h3>Palestinos s\u00e3o submetidos a restri\u00e7\u00f5es de movimento \u201cdraconianas\u201d<\/h3>\n<div id=\"attachment_34880\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<figure id=\"attachment_34880\" aria-describedby=\"caption-attachment-34880\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34880 size-large\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281020-1024x683.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281020-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281020-300x200.jpg 300w, https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/281020-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-34880\" data-pagespeed-url-hash=\"2125748357\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34880\" class=\"wp-caption-text\">Pr\u00f3ximo a um posto de controle de Israel, uma mulher palestina espera por uma permiss\u00e3o especial para chegar aos campos de oliveiras, em 13 de outubro de 2021, nos arredores da cidade de Hebron, Cisjord\u00e2nia. (Foto de HAZEM BADER\/AFP via Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Desde meados da d\u00e9cada de 1990, as autoridades israelenses impuseram restri\u00e7\u00f5es de movimento cada vez mais rigorosas aos palestinos nos TPOs. Uma rede de postos de controle militares, bloqueios de estradas, cercas e outras estruturas controla o movimento de palestinos dentro do TPO e restringe suas viagens para Israel ou para o exterior.<\/p>\n<p>Uma cerca de 700 km, que Israel ainda est\u00e1 estendendo, isolou as comunidades palestinas dentro de \u201czonas militares\u201d, e elas devem obter v\u00e1rias permiss\u00f5es especiais sempre que entrarem ou sa\u00edrem de suas casas. <strong>Em Gaza, mais de 2 milh\u00f5es de palestinos vivem sob um bloqueio israelense que criou uma crise humanit\u00e1ria.<\/strong> \u00c9 quase imposs\u00edvel para os habitantes de Gaza viajar para o exterior ou para o resto dos TPOs, e eles s\u00e3o efetivamente segregados do resto do mundo.<\/p>\n<p>\u201cPara os palestinos, a dificuldade de viajar dentro e fora dos TPO \u00e9 um lembrete constante de sua impot\u00eancia. Cada movimento deles est\u00e1 sujeito \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o dos militares israelenses, e a tarefa di\u00e1ria mais simples \u00e9 navegar em uma teia de controle violento\u201d, afirma Agn\u00e8s Callamard.<\/p>\n<p>\u201cO sistema de permiss\u00e3o nos TPOs \u00e9 emblem\u00e1tico da discrimina\u00e7\u00e3o descarada de Israel contra os palestinos. Enquanto os palestinos est\u00e3o presos em um bloqueio, presos por horas em postos de controle ou esperando por mais uma permiss\u00e3o, cidad\u00e3os israelenses podem se movimentar como quiserem\u201d.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional examinou cada uma das justificativas de seguran\u00e7a que Israel cita como base para seu tratamento aos palestinos. O relat\u00f3rio mostra que, embora algumas das pol\u00edticas de Israel possam ter sido projetadas para cumprir objetivos leg\u00edtimos de seguran\u00e7a, elas foram implementadas de maneira grosseiramente desproporcional e discriminat\u00f3ria, que n\u00e3o cumpre o direito internacional. Outras pol\u00edticas <strong>n\u00e3o t\u00eam absolutamente nenhuma base razo\u00e1vel em seguran\u00e7a<\/strong> e s\u00e3o claramente moldadas pela inten\u00e7\u00e3o de oprimir e dominar.<\/p>\n<h3><strong>O caminho a seguir<\/strong><\/h3>\n<p>A\u00a0 Anistia Internacional fornece in\u00fameras recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre como as autoridades israelenses podem desmantelar o sistema de apartheid e a discrimina\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que o sustentam.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 pedindo <strong>o fim da pr\u00e1tica brutal de demoli\u00e7\u00f5es de casas e despejos for\u00e7ados como primeiro passo.<\/strong> Israel deve conceder direitos iguais a todos os palestinos em Israel e nos TPOs, de acordo com os princ\u00edpios dos direitos humanos internacionais e do direito humanit\u00e1rio. Deve reconhecer o direito dos refugiados palestinos e seus descendentes de retornar aos lares onde eles ou suas fam\u00edlias viveram e proporcionar \u00e0s v\u00edtimas de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e crimes contra a humanidade uma repara\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>A escala e a gravidade das viola\u00e7\u00f5es documentadas no relat\u00f3rio da Anistia Internacional <strong>exigem uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica na abordagem da comunidade internacional \u00e0 crise dos direitos humanos em Israel e nos TPO.<\/strong><\/p>\n<p>Todos os estados podem exercer jurisdi\u00e7\u00e3o universal sobre pessoas razoavelmente suspeitas de cometer o crime de apartheid de acordo com o direito internacional, e os estados que s\u00e3o partes da Conven\u00e7\u00e3o do Apartheid t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u201cA resposta internacional ao apartheid n\u00e3o deve mais se limitar a condena\u00e7\u00f5es brandas e equ\u00edvocas. A menos que enfrentemos as causas profundas, palestinos e israelenses permanecer\u00e3o presos ao ciclo de viol\u00eancia que destruiu tantas vidas\u201d, diz Agn\u00e8s Callamard. \u201cIsrael deve desmantelar o sistema do apartheid e come\u00e7ar a tratar os palestinos como seres humanos com direitos e dignidade iguais. At\u00e9 que isso aconte\u00e7a, a paz e a seguran\u00e7a continuar\u00e3o sendo uma perspectiva distante para israelenses e palestinos.\u201d \u00a0finalizou a Secret\u00e1ria-Geral da Anistia Internacional.<\/p>\n<p><em>Foto destaque:<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anistia Internacional Em 02.02.2022 Em novo relat\u00f3rio, Anistia Internacional detalha a opress\u00e3o sistem\u00e1tica de Israel contra o povo palestino e cobra a\u00e7\u00e3o da comunidade internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11639,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"wpmdr_menu":1,"wpmdr_menu_extended":{"individualPostRemove":1,"individualPostRemoveDate":1,"individualPostRemoveAuthor":1,"individualPostYoastRemovePublished":1,"individualPostYoastRemoveModified":1},"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-11638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direitos-humanos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":11666,"url":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=11666","url_meta":{"origin":11638,"position":0},"title":"Em Bruzundanga, viola\u00e7\u00f5es de Israel contra os palestinos n\u00e3o se discutem","author":"","date":false,"format":false,"excerpt":"Paulo S\u00e9rgio Pinheiro* 06.02.2022 Em setembro do ano passado, \u00e0s v\u00e9speras da abertura da Assembleia Geral da ONU, Lakhdar Brahimi, antigo enviado especial do secret\u00e1rio-Geral da ONU e membro do grupo The Elders, criado por Nelson Mandela, apelava para que a Assembleia investigasse \u201co aprofundamento do regime de supremacia israelense\u2026","rel":"","context":"In &quot;Artigo&quot;","block_context":{"text":"Artigo","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?cat=41"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/muro-palestina-folhapress.jpg?fit=750%2C500&ssl=1&resize=350%2C200","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/muro-palestina-folhapress.jpg?fit=750%2C500&ssl=1&resize=350%2C200 1x, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/muro-palestina-folhapress.jpg?fit=750%2C500&ssl=1&resize=525%2C300 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/muro-palestina-folhapress.jpg?fit=750%2C500&ssl=1&resize=700%2C400 2x"},"classes":[]},{"id":8023,"url":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=8023","url_meta":{"origin":11638,"position":1},"title":"Human Rights Watch: Israel deve prestar contas de como trata os palestinos","author":"","date":false,"format":false,"excerpt":"Paulo S\u00e9rgio Pinheiro* 02.05.2021 Na missa do domingo de Bom Pastor, o padre J\u00falio Lancelotti observou que n\u00e3o se pode dizer que Israel vacinou toda sua popula\u00e7\u00e3o, simplesmente porque n\u00e3o foram vacinados todos os palestinos. 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