{"id":1419,"date":"2020-07-07T10:00:18","date_gmt":"2020-07-07T13:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=1419"},"modified":"2020-07-06T21:05:10","modified_gmt":"2020-07-07T00:05:10","slug":"a-inesgotabilidade-da-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=1419","title":{"rendered":"A inesgotabilidade da cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Ivan Marinho*<strong><br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Em 07.06.2020<\/em><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"955\" data-permalink=\"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?attachment_id=955\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?fit=1920%2C1280&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1920,1280\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.8&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 80D&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1595178957&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;50&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;1250&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.002&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"foto Ivan Marinho IMG_7079\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?fit=640%2C427&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-955 alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=300%2C200&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=1320%2C880&amp;ssl=1 1320w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00c9 sem pressa que nos encontramos com o tempo, ou o tempo se encontra conosco e se desfaz em n\u00f3s, bem como nos desfazemos nele. Essa fus\u00e3o nos desobriga da condi\u00e7\u00e3o animal permitindo-nos pisar em terras sem propriedade, originais com rela\u00e7\u00e3o ao que ultrapassa o tomo hist\u00f3rico ou mesmo cient\u00edfico. Foi sem pressa que me encontrei com o mestre Urian Agria de Souza no Burburinho, quando j\u00e1 me despedia de uma \u201cmesa\u201d pragm\u00e1tica, vaidosa e luxuriante. Pro bem de meu esp\u00edrito, a \u201cmesa\u201d tornou-se despojada, simples e comprometida. \u00c9 comum nascer desses encontros o desejo de comunh\u00e3o, de descobertas, de revela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>OLHOS DE \u00cdNDIO<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Isso de olhar<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Um sopro de folhas<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que caem r\u00edtmicas<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E fren\u00e9ticas<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>De uma \u00e1rvore&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Ou outras<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que brincam com o vento<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>De serem bandeirolas,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Tira-me o tempo<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>De olhar pras horas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sabe daqueles momentos em que algu\u00e9m come\u00e7a a cantar uma m\u00fasica que voc\u00ea est\u00e1 pensando? Pois \u00e9. A palavra chegava para afirmar aquilo que j\u00e1 se configurava como pensamento no outro. Claro que devemos considerar aqui a especificidade, ou originalidade, de cada olhar.<\/p>\n<p>E, em pleno s\u00e9culo XXI, est\u00e1vamos conversando sobre a pintura, ferramenta que compartilhamos enquanto linguagem pessoal. Mas n\u00e3o \u00e9 a n\u00f3s que deve surpreender a constata\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do par\u00e1grafo, mas, aos vanguardistas de plant\u00e3o que, incitados pelas elucubra\u00e7\u00f5es psico-filos\u00f3ficas do in\u00edcio do s\u00e9culo passado, partiram cegos para um futuro refratado, impalp\u00e1vel como o pr\u00f3prio futuro, entregue a transitoriedade, sem o encanto do maravilhoso, d\u00e1diva exclusiva dos esp\u00edritos racionais, inesgot\u00e1veis, mas cientes da morte e de seu mist\u00e9rio, portanto, muito mais respons\u00e1veis pela vida.<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-size: 20px;\"><em><strong>\u00c9 claro que nos contrapomos \u00e0 id\u00e9ia de esgotabilidade da cria\u00e7\u00e3o. Imposs\u00edvel encontrar sentido, a n\u00e3o ser o de presun\u00e7\u00e3o equivocada, no quadro preto de Ad Reinhardt denominado de \u00daltima Pintura. \u00c9 muito simples concluir sobre isto, basta pensar que, mesmo num s\u00f3 estilo, \u00e9 poss\u00edvel criar, sempre, uma nova m\u00fasica. \u00c9 infinita a possibilidade de combina\u00e7\u00f5es de notas, acordes, tons&#8230; H\u00e1 tantos anos ouvimos o Xote e a cada ano novo nos encantamos com as novas composi\u00e7\u00f5es de Maciel Melo e Petr\u00facio Amorim, os dois maiores compositores do g\u00eanero na atualidade.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>Urian expunha, naquele momento, seu exerc\u00edcio de tentar reunir na sua cria\u00e7\u00e3o o significado caboclo de sua forma\u00e7\u00e3o, numa busca muito mais de si pr\u00f3prio do que do reconhecimento social. Enquanto eu discorria sobre a busca da unidade na pintura, numa observa\u00e7\u00e3o muito mais perceptiva do que tem\u00e1tica: o encontro do conjunto na pr\u00f3pria obra. Como, apesar de secund\u00e1rio, o tema faz parte de minha pintura, agravado pela liga\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura popular brasileira, encaro-o como um desafio, pois n\u00e3o permitiria que viesse a iludir o espectador a partir de um indumentarismo pueril muito melhor representado pelos artes\u00e3os dos brinquedos populares, mas buscando no seu condensamento a unidade de esp\u00edrito de sua manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a particularidade da linguagem pict\u00f3rica, conclu\u00edmos que passa por uma leitura muito mais da alma do que do intelecto, da\u00ed algumas pessoas sem forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica apontarem mais fielmente os pontos mais sutis expostos na tela, express\u00f5es do embate do artista no que diz respeito ao que se quer dizer e a forma que se diz. Tenho, nesta encruzilhada, retrocedido v\u00e1rias vezes, retomando trabalhos de muitos anos e mergulhando em seus problemas at\u00e9 encontrar sua \u201cpalavra final\u201d. N\u00e3o acredito no esgotamento das possibilidades de cria\u00e7\u00e3o, no entanto, acredito no esgotamento do dizer pict\u00f3rico na obra individual. Como na execu\u00e7\u00e3o de um mantra, acredito que a obra se completa quando se pode contempl\u00e1-la sem question\u00e1-la, como dizia Pollock, como quem olha um jardim. Para isso \u00e9 preciso que exista um encontro entre a sinceridade da express\u00e3o (enquanto descoberta individual do artista), sua unidade r\u00edtmica e crom\u00e1tica. Muitas vezes dei por conclu\u00edda, de forma autorit\u00e1ria, trabalhos que n\u00e3o conseguia resolver, aqueles que voc\u00ea assina e n\u00e3o entende porque n\u00e3o gosta deles. Alguns, quando s\u00e3o expostos, mais pela complexidade do que pela qualidade, s\u00e3o apontados como os melhores, mas mesmo assim n\u00e3o nos satisfazem. Esse exerc\u00edcio do olhar, esse exerc\u00edcio da individualidade, essa disposi\u00e7\u00e3o para encontrar a solu\u00e7\u00e3o, a unidade, \u00e9 a chave para a descoberta da express\u00e3o pr\u00f3pria, que n\u00e3o \u00e9 maior ou menor do que outras, mas \u00e9 \u00fanica, \u00e9 a que p\u00f5e o artista, n\u00e3o diante de si mesmo, mas em si mesmo.<\/p>\n<p><em>Ivan Marinho \u00e9 professor, especialista em Economia da Cultura. Escreve \u00e0s ter\u00e7as-feiras.<\/em><\/p>\n<p><em>Os textos aqui publicados n\u00e3o refletem necessariamente a opini\u00e3o do blog <strong>Falou e Disse<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivan Marinho* Em 07.06.2020 \u00c9 sem pressa que nos encontramos com o tempo, ou o tempo se encontra conosco e se desfaz em n\u00f3s, bem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"wpmdr_menu":0,"wpmdr_menu_extended":{"individualPostRemove":1,"individualPostRemoveDate":1,"individualPostRemoveAuthor":1,"individualPostYoastRemovePublished":1,"individualPostYoastRemoveModified":1},"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1419","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":3160,"url":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=3160","url_meta":{"origin":1419,"position":0},"title":"Eu vou morrer um dia. 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