{"id":17919,"date":"2025-02-19T06:47:55","date_gmt":"2025-02-19T09:47:55","guid":{"rendered":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=17919"},"modified":"2025-02-19T06:47:55","modified_gmt":"2025-02-19T09:47:55","slug":"ha-5-anos-uma-saida-pela-via-da-amorosidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=17919","title":{"rendered":"H\u00c1 5 ANOS &#8211; Uma sa\u00edda pela via da amorosidade"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Nelino Azevedo de Mendon\u00e7a*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"815\" data-permalink=\"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?attachment_id=815\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PHOTO-2020-06-07-22-00-57-NELINO-2.jpg?fit=640%2C640&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"640,640\" data-comments-opened=\"1\" data-image-title=\"PHOTO-2020-06-07-22-00-57 NELINO 2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PHOTO-2020-06-07-22-00-57-NELINO-2.jpg?fit=640%2C640&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-815 alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PHOTO-2020-06-07-22-00-57-NELINO-2.jpg?resize=300%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PHOTO-2020-06-07-22-00-57-NELINO-2.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PHOTO-2020-06-07-22-00-57-NELINO-2.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PHOTO-2020-06-07-22-00-57-NELINO-2.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Vivenciamos uma condi\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em que o esfacelamento dos la\u00e7os humanos est\u00e1 agravando perigosamente os \u00edmpetos de hostilidade no mundo e reduzindo as possibilidades de reconcilia\u00e7\u00e3o dos seres humanos entre si e com a natureza. O mais agravante \u00e9 que estamos nos acostumando com as diversas formas de aniquilamento de vidas, sejam elas humanas ou n\u00e3o, e isso j\u00e1 n\u00e3o nos soa como barb\u00e1rie, mas apenas como um conte\u00fado diuturnamente necess\u00e1rio \u00e0 pauta dos notici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nessa realidade, a vida tem menor import\u00e2ncia porque n\u00f3s, os seres humanos, estamos mergulhando, cada vez mais, num mar de banalidades e somos tomados pelas ondas de um consumismo voraz, que n\u00e3o poupa aniquilar aqueles que n\u00e3o se curvam ao cart\u00e3o de cr\u00e9dito e \u00e0s tend\u00eancias impostas pelos modismos.<\/p>\n<p>Vivemos mais intensamente uma \u00e9poca em que a valora\u00e7\u00e3o do <em>ter<\/em> chega ao \u00e1pice para justificar a boa vida. Tempos em que os valores morais se curvam a uma \u00e9tica do mercado, em que o lucro e a gan\u00e2ncia s\u00e3o solenemente argumentos para afirma\u00e7\u00e3o do <em>ser. <\/em>Para o pensador franc\u00eas Gabriel Marcel, o ter \u00e9 a coisifica\u00e7\u00e3o do ser, \u00e9 tudo que \u00e9 objetiv\u00e1vel. De tal maneira, estamos vivendo um tempo em que a desconstru\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 mais humano no ser humano torna-se uma condi\u00e7\u00e3o para evitar a nossa invisibilidade social. \u00c9 preciso sair da lixeira e voltar \u00e0s vitrines e a \u00fanica forma de ser notado \u00e9 atrav\u00e9s do consumo. \u00c9 preciso voltar \u00e0s prateleiras para ser admirado. Isso porque, cada vez mais, acentua-se a funesta l\u00f3gica do \u201cvale quanto pesa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Em contrapartida, afrouxamos os la\u00e7os que ainda nos mant\u00e9m integrados, que nos unem pelo sentimento de afeto, carinho e amorosidade. Perdemos, desse modo, as nossas potencialidades existenciais de comunica\u00e7\u00e3o aut\u00eantica com as outras pessoas; as nossas possibilidades de alteridade, que s\u00f3 t\u00eam valor quando envolvem profundamente o outro.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Com isso, passamos a ser deposit\u00e1rios da ang\u00fastia, da depress\u00e3o, do desespero. De acordo com relat\u00f3rio (2017) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade &#8211; OMS, em 2030 a depress\u00e3o ser\u00e1 a doen\u00e7a mais comum em todo o mundo. Para esse \u00f3rg\u00e3o, cerca de 2% a 4% da popula\u00e7\u00e3o mundial, ou seja, milh\u00f5es de pessoas sofrem de S\u00edndrome do P\u00e2nico. A depress\u00e3o j\u00e1 \u00e9 considerada por especialistas a doen\u00e7a do s\u00e9culo, mas esses mesmos especialistas afirmam que nem sempre se sabe o fator que causa essas crises. Como \u00e9 poss\u00edvel isso?! Que tempos estamos vivendo? Chegamos a uma condi\u00e7\u00e3o em que ter p\u00e2nico de conviver com o nosso semelhante j\u00e1 \u00e9 uma banalidade e ainda n\u00e3o conseguimos enxergar a causa dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A ostenta\u00e7\u00e3o da \u201cvida boa\u201d alicer\u00e7ada no ter est\u00e1 degenerando a dimens\u00e3o do ser e alargando a esfera que nos separa dos sentimentos mais humanos que nos habita. Com isso, estamos perdendo a nossa condi\u00e7\u00e3o humana que se afirma existencialmente pela presen\u00e7a. E presen\u00e7a humana \u00e9 marcada pela rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica com o outro. \u00c9 essencialmente pelo di\u00e1logo que marcamos a nossa presen\u00e7a no mundo e com o mundo. Martin Buber afirma que \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o EU-TU que os seres humanos se encontram, que realizam a sua exist\u00eancia, que se situam no mundo com os outros e se introduzem na sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Para ele a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana de exist\u00eancia \u00e9 privada de presen\u00e7a quando n\u00e3o se estabelece pela rela\u00e7\u00e3o EU-TU.<\/p>\n<p>Dessa forma, a conviv\u00eancia humana adoece quando perdemos em nossa rela\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a do outro. Pois, a partir da\u00ed, j\u00e1 n\u00e3o temos mais uma rela\u00e7\u00e3o marcada pela palavra-princ\u00edpio EU-TU. Temos, ent\u00e3o, o princ\u00edpio da domina\u00e7\u00e3o e da coisifica\u00e7\u00e3o do outro, que \u00e9 marcada pela rela\u00e7\u00e3o EU-ISSO, quando o outro ser passa a ter valor meramente utilit\u00e1rio, como se fosse um objeto, uma coisa. A desqualifica\u00e7\u00e3o do ser humano ocorre quando ele \u00e9 impedido de realizar-se em suas dimens\u00f5es ontol\u00f3gicas e existenciais. Da\u00ed, ent\u00e3o, passa-se a ter uma rela\u00e7\u00e3o marcada pela verticaliza\u00e7\u00e3o, pela imposi\u00e7\u00e3o de um sobre o outro, pelo estabelecimento da coisifica\u00e7\u00e3o do ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>N\u00e3o \u00e9 demais dizer que o modelo de sociedade, no qual estamos inseridos, alimenta nas pessoas uma busca desenfreada pela felicidade, mas essa felicidade est\u00e1 pautada em princ\u00edpios utilitaristas, nos quais n\u00e3o cabem as dimens\u00f5es mais humanas do afeto e da alteridade, pois esses princ\u00edpios s\u00e3o regidos pela incans\u00e1vel necessidade de produzir e de consumir o que se produz. Em outras palavras, nessa sociedade neoliberal de desempenho, quem n\u00e3o produz e n\u00e3o consome n\u00e3o alcan\u00e7a a felicidade.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias desse modelo de sociedade \u00e9 a sua capacidade de gerar esgotamentos f\u00edsicos e emocionais que v\u00e3o adoecendo a alma e o cora\u00e7\u00e3o das pessoas. Esses adoecimentos v\u00e3o minando as conviv\u00eancias e individualizando os sujeitos, pois para sobreviver nessa selva aonde a \u00e9tica n\u00e3o se edifica, \u00e9 necess\u00e1rio ativar a b\u00fassola que orienta para o caminho do \u201ccada um por si\u201d. Esse \u00e9 o espa\u00e7o f\u00e9rtil para acender nas pessoas o narcisismo, que passa a reger os comportamentos e atitudes, na medida em que cada um passa a crer na sua autossufici\u00eancia e, por conseguinte, passa a enxergar apenas a si mesmo.<\/p>\n<p>O mais comprometedor desse comportamento narc\u00edsico \u00e9 que as pessoas deixam de enxergar as outras pessoas. Passam a ver somente a si mesmas. E quando o ser humano se encontra nessa condi\u00e7\u00e3o, perde todos os referenciais externos a si. Fecha-se em si mesmo. E esse ver-se apenas a si mesmo \u00e9 uma maneira m\u00f3rbida de se enxergar, de se olhar, de se compreender, de se narrar e de se julgar. Perdem a no\u00e7\u00e3o de coletivo, pois j\u00e1 n\u00e3o veem mais os outros. Esse fechamento em si mesmo \u00e9 uma forma doentia que geralmente leva a adoecimentos da alma, como a depress\u00e3o. Portanto, n\u00e3o vejo sa\u00edda para uma exist\u00eancia sadia do ser humano fora do di\u00e1logo, da conviv\u00eancia \u00e9tica, da solidariedade e do amor. Uma condi\u00e7\u00e3o em que o ser humano n\u00e3o seja apenas mais um n\u00famero nas estat\u00edsticas e que n\u00e3o ocupe no mercado os espa\u00e7os destinados aos produtos e mercadorias.<\/p>\n<p>BUBER, Martin. <em>Eu e tu. <\/em>S\u00e3o Paulo, Centauro, 2001<\/p>\n<p><em><strong>*Nelino Azevedo de Mendon\u00e7a<\/strong> &#8211; Professor, Mestre em Educa\u00e7\u00e3o, Doutorando em Educa\u00e7\u00e3o e integrante da Academia Cabense de Letras.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>Imagem destaque: Web<\/em><\/p>\n<p><strong>NOTA DO EDITOR &#8211; Publicado pela primeira vez em 18.06.2020<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelino Azevedo de Mendon\u00e7a* Vivenciamos uma condi\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em que o esfacelamento dos la\u00e7os humanos est\u00e1 agravando perigosamente os \u00edmpetos de hostilidade no mundo e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17921,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"wpmdr_menu":0,"wpmdr_menu_extended":{"individualPostRemove":1,"individualPostRemoveDate":1,"individualPostRemoveAuthor":1,"individualPostYoastRemovePublished":1,"individualPostYoastRemoveModified":1},"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-17919","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":16252,"url":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=16252","url_meta":{"origin":17919,"position":0},"title":"O amor como urg\u00eancia","author":"","date":false,"format":false,"excerpt":"Jos\u00e9 Ambr\u00f3sio dos Santos* Em 05.04.2024 \"Este livro tem a ousadia de convocar a nossa capacidade reflexiva e a nossa potencialidade interior de amar, na inten\u00e7\u00e3o de fazermos um mundo mais decente.\" O amor como urg\u00eancia \u00e9 o t\u00edtulo do novo livro que o professor, escritor e doutorando em Educa\u00e7\u00e3o\u2026","rel":"","context":"In &quot;Cr\u00f4nicas&quot;","block_context":{"text":"Cr\u00f4nicas","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?cat=2"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/foto-2-nelino-livro-c79052ef-ee15-4788-93b4-fa8bd13501d8.jpg?fit=667%2C578&ssl=1&resize=350%2C200","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/foto-2-nelino-livro-c79052ef-ee15-4788-93b4-fa8bd13501d8.jpg?fit=667%2C578&ssl=1&resize=350%2C200 1x, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/foto-2-nelino-livro-c79052ef-ee15-4788-93b4-fa8bd13501d8.jpg?fit=667%2C578&ssl=1&resize=525%2C300 1.5x"},"classes":[]},{"id":814,"url":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=814","url_meta":{"origin":17919,"position":1},"title":"Uma sa\u00edda pela via da amorosidade","author":"","date":false,"format":false,"excerpt":"Nelino Azevedo de Mendon\u00e7a* Em 18.06.2020 Vivenciamos uma condi\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em que o esfacelamento dos la\u00e7os humanos est\u00e1 agravando perigosamente os \u00edmpetos de hostilidade no mundo e reduzindo as possibilidades de reconcilia\u00e7\u00e3o dos seres humanos entre si e com a natureza. 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