{"id":17963,"date":"2025-02-23T05:45:53","date_gmt":"2025-02-23T08:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=17963"},"modified":"2025-02-23T05:45:53","modified_gmt":"2025-02-23T08:45:53","slug":"ha-5-anos-melhor-levar-a-duvida-que-levar-a-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=17963","title":{"rendered":"H\u00c1 5 ANOS &#8211; Melhor levar \u00e0 d\u00favida que levar a nada"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Ivan Marinho de Barros Filho*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"955\" data-permalink=\"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?attachment_id=955\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?fit=1920%2C1280&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1920,1280\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.8&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 80D&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1595178957&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;50&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;1250&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.002&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"foto Ivan Marinho IMG_7079\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?fit=640%2C427&amp;ssl=1\" class=\" wp-image-955 alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=248%2C165&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?resize=1320%2C880&amp;ssl=1 1320w, https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/foto-Ivan-Marinho-IMG_7079.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/>Para quem estou falando? Ou escrevendo? \u00c0s vezes n\u00e3o sei como iniciar um texto, principalmente quando sei que vai ser p\u00fablico. Aprendi a conviver com id\u00e9ias que me parecem muito pessoais de tanto n\u00e3o encontrar resson\u00e2ncia no debate p\u00fablico, pelo menos na est\u00e2ncia em que vivo.<\/p>\n<p>Como sei que n\u00e3o sou o \u00fanico a \u201catravessar esses desertos de cinzas movedi\u00e7as\u201d, me ponho na obriga\u00e7\u00e3o de n\u00e3o calar \u201cenquanto o instante existe\u201d. Ali\u00e1s, tenho sobrevivido \u00e0 solid\u00e3o com certa resigna\u00e7\u00e3o e at\u00e9 alguma alegria, gra\u00e7as a <em>Lisbon Revisited,<\/em> de Fernando Pessoa sob heter\u00f4nimo de \u00c1lvaro de Campos, ou <em>A Solid\u00e3o e Sua Porta,<\/em> de Carlos Penna Filho; os <em>Campos de Trigo<\/em> de Van Gogh, ou a ponte de <em>O Grito<\/em> de Edvard Munch, ou o <em>Adeus<\/em> de Torquato Neto, a <em>A Queda<\/em> de Camus<em>, o O processo<\/em> de Kafka, ou mesmo os <em>Versos \u00cdntimos<\/em> do Augusto dos Anjos, que ouvia desde muito pequeno pela boca de meu av\u00f4 Andr\u00e9 Teixeira Costa, tamb\u00e9m poeta.<\/p>\n<p>Rendida \u00e0 l\u00f3gica banalizante do Mercado, a realidade constr\u00f3i alicerces paradigm\u00e1ticos que parecem confluir at\u00e9 no sentido social de classes. Se por um lado o povo (ou, sociologicamente, a classe oprimida), em tempos de banalidade generalizada, se debate com sua identidade em express\u00f5es vulgares, reprodutivistas e semelhantes \u00e0 pobreza simb\u00f3lica para a qual \u00e9 empurrada pelos canais de TVs, por outro lado as elites neo-coloniais absorvem, naturalmente, os engodos anglo-sax\u00f5es, com um orgulho mais baixo que med\u00edocre por se sentir com acesso ao produto do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Um dia, num recital, um desses poetas \u201ccontempor\u00e2neos\u201d que diz fundir as express\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica interrompeu sua apresenta\u00e7\u00e3o para dizer: \u201cO m\u00fasico \u00e9 fulano&#8230; ele \u00e9 ingl\u00eas, viu?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><strong>Ainda, pensando sobre essas embroma\u00e7\u00f5es neo-p\u00f3s-tudo, ap\u00f3s um debate sobre artes pl\u00e1sticas e literatura, com o escritor Luiz de Aquino e o professor da Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, o artista pl\u00e1stico Amauri Cunha, em Jo\u00e3o Pessoa, uma \u201cartista pl\u00e1stica\u201d, dessas que usa saltos de quase um metro e nariz empinado, quase \u00e0 tocar as nuvens, dona de uma capacidade de incompreender as coisas (\u00e9, esse \u00e9 o grande mote intelectual\u00f3ide p\u00f3s-moderno: n\u00e3o compreender) mostrou foto de uma instala\u00e7\u00e3o de sua autoria e, com rela\u00e7\u00e3o aos riscos que botara em bolas brancas que se sucediam repetitivamente na parede (tamb\u00e9m branca), disse: \u201cesses signos que est\u00e3o nas bolas nem eu sei o significado!\u201d. Pois creia: Signos sem significados. Pode Freud?<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo venho me inquietando com esse abacaxi de pl\u00e1stico que querem enfiar de nossa goela abaixo e que denominam de arte contempor\u00e2nea. E, se tiver um pouco de sorte, n\u00e3o vou ser comparado com Monteiro Lobato ao redigir o <em>Paran\u00f3ia ou Mistifica\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, no programa O Secret\u00e1rio da Cidade (TVU) um professor da UNICAP professava a vit\u00f3ria do feio, apresentando um livro que trata do assunto. Em determinado momento da entrevista, ele dizia que o caos social contempor\u00e2neo se refletia na cria\u00e7\u00e3o, levando o artista a transform\u00e1-lo em arte. J\u00e1 ouvi dizer que <em>a arte imita a vida<\/em>,<em> que a vida imita a arte<\/em> e agora escuto que <em>a arte imita a barb\u00e1rie, ou a neo-b\u00e1rb\u00e1rie<\/em>, como poderia ser chamada.<\/p>\n<p>No pref\u00e1cio do meu livro Anti-hor\u00e1rio, o poeta Alberto da Cunha Melo trata da \u201c<em>permanente perplexidade<\/em>\u201d refletida nas artes do nosso tempo, como se quisesse alertar sobre esse caminho, equivocadamente sem fim, que vem se arrastando desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado, com as experi\u00eancias de Marcel Duchamp e a afirma\u00e7\u00e3o do projeto neo-liberal.<\/p>\n<p>Muitos justificam essa anomia, pela condi\u00e7\u00e3o processual da exist\u00eancia humana, ou pela aus\u00eancia de verdades absolutas, visto que, positivistamente, s\u00e3o todas provisoriamente condicionadas pelo processo hist\u00f3rico-ontol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Penso que, mesmo sendo o homem respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio caminho de adapta\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o signifique que n\u00e3o possa definir finalidades para sua produ\u00e7\u00e3o material e imaterial. Se somos uma natureza em constru\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o se deveria pensar no que queremos para essa natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><strong>O homem \u00e9 o \u00fanico animal<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><strong>Na sanha a tatear no escuro<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><strong>Em busca de sua natureza<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><strong>Estranha, que est\u00e1 no futuro.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Termino como comecei, sem saber como terminar. Gostaria de escrever sobre os Sal\u00f5es e Bienais de artes pl\u00e1sticas, ou da perplexidade diante da complexidade como instrumento divisor de classes, ou das possibilidades idiossincr\u00e1ticas ou de identidade grupal&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o gosto de terminar com retic\u00eancias, portanto, que eu leve \u00e0 d\u00favida!<\/p>\n<p><em><strong>*Ivan Marinho de Barros Filho &#8211; <\/strong>\u00a0Professor, multiartista e especialista em Economia da Cultura. \u00c9 integrante da Academia Cabense das Letras.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Imagem destaque: Capa do livro Sortil\u00e9gio Poss\u00edvel, de Ivan Marinho.<\/em><\/p>\n<p><strong>NOTA DO EDITOR: Cr\u00f4nica publicada pela primeira vez em\u00a015.07.2020<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivan Marinho de Barros Filho* Para quem estou falando? 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