{"id":19712,"date":"2025-06-28T12:38:19","date_gmt":"2025-06-28T15:38:19","guid":{"rendered":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=19712"},"modified":"2025-06-28T12:38:19","modified_gmt":"2025-06-28T15:38:19","slug":"educacao-para-pensar-nao-para-obedecer-o-grito-de-paulo-freire-contra-o-desrespeito-a-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=19712","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o para pensar, n\u00e3o para obedecer: o grito de Paulo Freire contra o desrespeito \u00e0 escola"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/falouedisse.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-28-at-11.33.52.jpeg?resize=768%2C768&amp;ssl=1\" width=\"205\" height=\"205\" \/>Ricardo Jorge Silveira Gomes*<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Em 28.06.2025<\/em><\/p>\n<p><strong>APRESENTA\u00c7\u00c3O <\/strong><\/p>\n<p>Em um Brasil cada vez mais marcado por pol\u00edticas educacionais tecnicistas e por um discurso de desvaloriza\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica, o pensamento de <strong>Paulo Freire<\/strong> continua pulsante e necess\u00e1rio. Patrono da educa\u00e7\u00e3o brasileira e refer\u00eancia internacional da pedagogia cr\u00edtica, Freire nos legou a ideia de uma educa\u00e7\u00e3o transformadora, que se op\u00f5e frontalmente \u00e0 l\u00f3gica do \u201ctreinamento\u201d \u2013 este que molda corpos obedientes, mas silencia mentes reflexivas.<\/p>\n<p>Segundo Freire (1996), \u201censinar n\u00e3o \u00e9 transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o ou a sua constru\u00e7\u00e3o\u201d. Trata-se, portanto, de uma pr\u00e1tica dial\u00f3gica, baseada na escuta, na criticidade e no reconhecimento do educando como sujeito ativo do processo educativo. O oposto disso \u00e9 a <strong>educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria<\/strong>, conceito por ele cunhado para descrever m\u00e9todos em que o professor deposita conte\u00fados nos alunos, sem di\u00e1logo e sem sentido para a realidade vivida por eles (FREIRE, 1987).<\/p>\n<p>Contudo, o que se observa no atual cen\u00e1rio brasileiro \u00e9 uma tentativa cont\u00ednua de desmontar o projeto freiriano. Ao inv\u00e9s de educar para a autonomia, promove-se uma educa\u00e7\u00e3o para a produtividade, que busca \u201ctreinar\u201d estudantes para atender \u00e0s demandas do mercado. Como destaca Saviani (2008), tal concep\u00e7\u00e3o tem ra\u00edzes na pedagogia tecnicista, cujos fundamentos s\u00e3o instrumentais e adaptativos, reduzindo o aluno \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rio do conhecimento.<\/p>\n<p>Esse processo de <strong>mercantiliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o<\/strong> se manifesta na press\u00e3o por resultados em avalia\u00e7\u00f5es de larga escala (como o Saeb e o Enem), na desvaloriza\u00e7\u00e3o dos saberes human\u00edsticos, e na substitui\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o cr\u00edtica por habilidades operacionais. De acordo com Frigotto (2011), essa l\u00f3gica \u00e9 parte de um projeto pol\u00edtico que entende a escola como mera provedora de compet\u00eancias produtivas, ignorando sua fun\u00e7\u00e3o formadora e cidad\u00e3.<\/p>\n<p>Ademais, o desrespeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se expressa na forma como os professores v\u00eam sendo tratados. A precariza\u00e7\u00e3o salarial, a sobrecarga de trabalho e os constantes ataques \u00e0 liberdade de c\u00e1tedra contribuem para o esvaziamento do papel social do magist\u00e9rio. Em muitos casos, o professor \u00e9 acusado de \u201cdoutrinar\u201d apenas por promover debates sobre cidadania, pol\u00edtica ou direitos humanos. Paulo Freire j\u00e1 alertava para isso: \u201cquando a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 libertadora, o sonho do oprimido \u00e9 ser o opressor\u201d (FREIRE, 1987).<\/p>\n<p>A pedagogia freiriana \u00e9 tamb\u00e9m uma pedagogia do afeto, do compromisso com o outro e com a transforma\u00e7\u00e3o social. Ao defender que \u201cningu\u00e9m liberta ningu\u00e9m, ningu\u00e9m se liberta sozinho, os homens se libertam em comunh\u00e3o\u201d (FREIRE, 1987, p. 47), Freire prop\u00f5e uma \u00e9tica do encontro que contrasta com a frieza de um sistema educacional que mede alunos por gr\u00e1ficos e ignora suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica a essa \u201ceduca\u00e7\u00e3o para obedecer\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas uma den\u00fancia, mas tamb\u00e9m um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Como lembra GADOTTI (2000), a pedagogia de Paulo Freire \u00e9, antes de tudo, uma pedagogia da esperan\u00e7a: acredita que a mudan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel, mesmo diante das estruturas mais opressoras. Por isso, o legado freiriano continua incomodando \u2013 porque prop\u00f5e que a escola seja um lugar de questionamento e n\u00e3o de submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do atual cen\u00e1rio de desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o, retornar a Freire \u00e9 reafirmar um compromisso com a democracia, com a justi\u00e7a social e com a dignidade humana. Em um pa\u00eds onde escolas s\u00e3o sucateadas, professores silenciados e estudantes treinados para cumprir tarefas sem sentido, educar de forma cr\u00edtica e libertadora \u00e9, mais do que um direito, um ato de resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O legado de Paulo Freire<\/strong><\/p>\n<p>Falar em educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9, inevitavelmente, lembrar de Paulo Freire, intelectual e educador que revolucionou o pensamento pedag\u00f3gico ao defender a educa\u00e7\u00e3o como um ato pol\u00edtico, \u00e9tico e libertador. Nomeado Patrono da Educa\u00e7\u00e3o Brasileira pela Lei n\u00ba 12.612\/2012, Freire construiu uma pedagogia voltada \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o dos sujeitos, especialmente os historicamente marginalizados, propondo um modelo educacional centrado no di\u00e1logo, na consci\u00eancia cr\u00edtica e na transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em tempos de retrocessos democr\u00e1ticos, cortes de verbas p\u00fablicas e avan\u00e7o de propostas tecnicistas e autorit\u00e1rias, o pensamento freiriano ressurge com ainda mais vigor e atualidade. Seu legado representa uma resist\u00eancia viva contra a tentativa de reduzir a educa\u00e7\u00e3o a um processo de treinamento mec\u00e2nico, esvaziado de sentido e de humanidade. Ao contr\u00e1rio, Freire ensina que educar \u00e9 um processo humanizador, em que educador e educando se reconhecem mutuamente como sujeitos em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Freire (1987), \u201ceduca\u00e7\u00e3o n\u00e3o transforma o mundo. Educa\u00e7\u00e3o muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.\u201d Essa frase sintetiza a ess\u00eancia de sua pedagogia: ensinar \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para que os aprendizes compreendam sua realidade, reflitam sobre ela e, a partir disso, possam transform\u00e1-la. A educa\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 compreendida n\u00e3o como transmiss\u00e3o de conte\u00fados prontos, mas como pr\u00e1tica de liberdade, isto \u00e9, como experi\u00eancia que desperta a consci\u00eancia cr\u00edtica e a autonomia.<\/p>\n<p>Mais do que um m\u00e9todo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, o legado de Paulo Freire \u00e9 uma filosofia de vida e de ensino. Ele defende uma escola que respeite o saber popular, que reconhe\u00e7a a cultura do aluno, e que n\u00e3o tema politizar a sala de aula \u2014 pois, como ele afirma, \u201cn\u00e3o existe neutralidade na educa\u00e7\u00e3o\u201d. Em um pa\u00eds ainda marcado por profundas desigualdades sociais e por um modelo escolar excludente, Freire permanece atual e necess\u00e1rio, inspirando educadores que compreendem que ensinar \u00e9 tamb\u00e9m um ato de esperan\u00e7a e resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o como ensino, n\u00e3o como treinamento<\/strong><\/p>\n<p>Um dos pontos centrais da pedagogia de Paulo Freire \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre ensinar para formar sujeitos e treinar para condicionar comportamentos. Na perspectiva freiriana, o ato de ensinar vai al\u00e9m da simples transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es: ele envolve di\u00e1logo, constru\u00e7\u00e3o conjunta do saber e forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia cr\u00edtica. Treinar, por outro lado, reduz o educando a um mero reprodutor de tarefas, moldado para obedecer, repetir e adaptar-se, sem refletir sobre sua realidade.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o se evidencia na cr\u00edtica de Freire (1987) ao que chamou de \u201ceduca\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d \u2013 uma pr\u00e1tica pedag\u00f3gica baseada no dep\u00f3sito de conte\u00fados, onde o professor \u00e9 o sujeito do saber e o aluno um receptor passivo. Segundo ele, essa forma de ensino nega a criatividade, a curiosidade e a autonomia dos educandos, transformando-os em objetos e n\u00e3o em sujeitos do processo educativo. Nas palavras do autor:<\/p>\n<p>\u201cNa vis\u00e3o \u2018banc\u00e1ria\u2019 da educa\u00e7\u00e3o, o educador \u00e9 o que educa; os educandos, os que s\u00e3o educados. O educador \u00e9 o que sabe; os educandos, os que n\u00e3o sabem. O educador pensa; os educandos s\u00e3o pensados\u201d (FREIRE, 1987, p. 58).<\/p>\n<p>Essa abordagem, amplamente difundida nas institui\u00e7\u00f5es escolares tradicionais, refor\u00e7a a submiss\u00e3o \u00e0 autoridade, a padroniza\u00e7\u00e3o do pensamento e a naturaliza\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o questionamento, para o debate ou para a criatividade. Assim, o ensino torna-se instrumento de manuten\u00e7\u00e3o do status quo, ao inv\u00e9s de um meio para a transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Quando a escola assume o papel de treinar para o mercado, ela passa a medir o sucesso educacional por \u00edndices de produtividade e desempenho t\u00e9cnico, desconsiderando o desenvolvimento \u00e9tico, est\u00e9tico e pol\u00edtico dos sujeitos. Esse modelo, alimentado por pol\u00edticas de metas, rankings e avalia\u00e7\u00f5es padronizadas, compromete o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o plena e integral, substituindo o conhecimento significativo por habilidades operacionais fragmentadas.<\/p>\n<p>Na pedagogia freiriana, ao contr\u00e1rio, o educando \u00e9 convocado a compreender criticamente o mundo que o cerca, relacionando o conte\u00fado escolar \u00e0 sua realidade concreta. Ensinar, nesse sentido, \u00e9 um ato de escuta e de valoriza\u00e7\u00e3o do saber do outro. A autonomia do aluno n\u00e3o \u00e9 vista como amea\u00e7a \u00e0 autoridade do professor, mas como express\u00e3o de maturidade pedag\u00f3gica, de um processo educativo que emancipa ao inv\u00e9s de domesticar.<\/p>\n<p>Portanto, defender uma educa\u00e7\u00e3o que ensine a pensar e a intervir \u2013 e n\u00e3o que apenas treine para obedecer \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m um ato pol\u00edtico. \u00c9 optar por um modelo de escola que respeita a dignidade dos alunos e reconhece que o verdadeiro aprendizado s\u00f3 acontece quando o sujeito se sente parte da constru\u00e7\u00e3o do saber. \u00c9 por isso que Paulo Freire continua t\u00e3o atual: porque sua pedagogia nos lembra que educar \u00e9 sempre um gesto de esperan\u00e7a e de liberdade.<\/p>\n<p><strong>A l\u00f3gica tecnicista e produtivista na educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o avan\u00e7o de uma vis\u00e3o tecnicista e produtivista da educa\u00e7\u00e3o tem se consolidado como um dos maiores desafios ao pensamento cr\u00edtico e libertador proposto por Paulo Freire. Essa l\u00f3gica imp\u00f5e \u00e0 escola uma fun\u00e7\u00e3o eminentemente instrumental e mercadol\u00f3gica, tratando a educa\u00e7\u00e3o como mercadoria e o estudante como produto a ser moldado para atender \u00e0s demandas do mercado de trabalho. Em vez de formar sujeitos aut\u00f4nomos, forma-se m\u00e3o de obra ajust\u00e1vel, adaptada e, muitas vezes, acr\u00edtica.<\/p>\n<p>A chamada mercantiliza\u00e7\u00e3o do ensino ocorre quando os processos educativos s\u00e3o submetidos \u00e0 l\u00f3gica da efici\u00eancia econ\u00f4mica. Isso se manifesta na privatiza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico por meio de parcerias com empresas, na terceiriza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e na centralidade das avalia\u00e7\u00f5es de larga escala \u2014 como o Saeb, o Enem e o Pisa \u2014 que passaram a ditar curr\u00edculos, m\u00e9todos de ensino e metas escolares. Como destaca Frigotto (2011), esse modelo reduz o papel da escola ao de \u201cformadora de capital humano\u201d, esvaziando sua fun\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e cultural.<\/p>\n<p>A press\u00e3o por resultados mensur\u00e1veis e indicadores de desempenho imp\u00f5e aos professores e alunos uma rotina de metas, gr\u00e1ficos, rankings e simula\u00e7\u00f5es que desconsideram o contexto hist\u00f3rico, social e subjetivo de cada sujeito. Essa padroniza\u00e7\u00e3o ignora a diversidade cultural dos estudantes e transforma a escola em uma m\u00e1quina de prepara\u00e7\u00e3o para provas. Para Saviani (2008), trata-se de um \u201ctecnicismo disfar\u00e7ado de moderniza\u00e7\u00e3o\u201d, no qual a pedagogia se subordina aos interesses do mercado.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, a escola \u00e9 reduzida a um espa\u00e7o de efici\u00eancia e controle, em que o conte\u00fado ganha mais import\u00e2ncia que o sentido, e o ensino mais valor que a aprendizagem. A criatividade, o debate, a arte, a filosofia e a educa\u00e7\u00e3o human\u00edstica tornam-se \u201cluxos\u201d descart\u00e1veis. O que importa \u00e9 o desempenho, n\u00e3o o desenvolvimento integral. Nesse cen\u00e1rio, a forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o cr\u00edtico e participativo, conforme propunha Freire, \u00e9 sacrificada em nome da produtividade.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica \u00e9 incompat\u00edvel com a pedagogia freiriana, que entende a escola como espa\u00e7o de di\u00e1logo, escuta e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Como afirma Freire (1996), \u201censinar exige o reconhecimento e a assun\u00e7\u00e3o da identidade cultural dos educandos\u201d (p. 123). Quando se imp\u00f5e um modelo que desconsidera a vida real dos estudantes e trata o saber local como irrelevante, o que se tem \u00e9 o aprofundamento da exclus\u00e3o educacional e social.<\/p>\n<p>Portanto, resistir \u00e0 l\u00f3gica tecnicista \u00e9 resistir \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o do ensino. \u00c9 afirmar que a escola n\u00e3o deve ser uma empresa, que o professor n\u00e3o \u00e9 um t\u00e9cnico, e que o aluno n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina de respostas. A educa\u00e7\u00e3o precisa ser espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o humana, n\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias vazias. Como nos alerta Paulo Freire, \u201ca pr\u00e1tica educativa libertadora exige uma permanente disponibilidade para o di\u00e1logo e a problematiza\u00e7\u00e3o da realidade\u201d (FREIRE, 1987, p. 71).<\/p>\n<p><strong>A pedagogia freiriana como resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Em meio \u00e0 l\u00f3gica de mercantiliza\u00e7\u00e3o e tecnicismo que se imp\u00f5e sobre a educa\u00e7\u00e3o brasileira, a pedagogia de Paulo Freire emerge como uma forma de resist\u00eancia viva e necess\u00e1ria. Mais do que uma proposta metodol\u00f3gica, o pensamento freiriano constitui um projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico comprometido com a transforma\u00e7\u00e3o da realidade social por meio da forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos sujeitos. A educa\u00e7\u00e3o, nessa perspectiva, n\u00e3o \u00e9 neutra: ou contribui para a reprodu\u00e7\u00e3o das injusti\u00e7as, ou se engaja na supera\u00e7\u00e3o delas.<\/p>\n<p>Um dos pilares dessa pedagogia \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica, que se op\u00f5e frontalmente \u00e0 transmiss\u00e3o unilateral de conhecimento. Para Freire (1987), <strong>o <\/strong>di\u00e1logo \u00e9 a ess\u00eancia do processo educativo libertador, pois permite que educador e educando compartilhem saberes e construam juntos o conhecimento, em uma rela\u00e7\u00e3o horizontal e democr\u00e1tica. O di\u00e1logo rompe com a verticalidade da educa\u00e7\u00e3o tradicional, substituindo o autoritarismo pela escuta ativa, o sil\u00eancio imposto pela participa\u00e7\u00e3o e a passividade pela autonomia.<\/p>\n<p>Nesse processo, o professor deixa de ser apenas transmissor de conte\u00fados para tornar-se um mediador da aprendizagem e um agente de transforma\u00e7\u00e3o social. Seu papel n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m \u00e9tico, pol\u00edtico e afetivo. Como afirma Freire (1996), \u201censinar exige compromisso com a realidade\u201d e, portanto, exige um professor que n\u00e3o se limite a \u201cdar aulas\u201d, mas que ajude seus alunos a interpretar criticamente o mundo. O educador, segundo ele, deve assumir sua responsabilidade social e lutar para que o conhecimento sirva \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos oprimidos e n\u00e3o \u00e0 sua domestica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro aspecto fundamental da pedagogia freiriana \u00e9 o afeto como componente do ato educativo. Freire reconhece que ensinar exige escuta, humildade, amorosidade e respeito ao saber do outro. O educador n\u00e3o pode ser um \u201cagente frio\u201d, distante, que ensina por obriga\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso se comprometer com os sonhos, as dores e os contextos dos alunos. Como ele mesmo escreve: \u201co conte\u00fado \u00e9tico da pr\u00e1tica educativa \u00e9 insepar\u00e1vel do conte\u00fado gnosiol\u00f3gico\u201d (FREIRE, 1996, p. 14), ou seja, n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre ensinar e cuidar, entre saber e sensibilidade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a pedagogia freiriana prop\u00f5e uma \u00e9tica da escuta e do encontro, que valoriza a cultura do educando, reconhece seus saberes e promove o respeito \u00e0 diversidade. Essa \u00e9tica \u00e9 tamb\u00e9m pol\u00edtica, pois combate qualquer forma de opress\u00e3o ou silenciamento. Em um tempo em que a intoler\u00e2ncia e o autoritarismo crescem, defender uma educa\u00e7\u00e3o baseada na empatia, na solidariedade e na constru\u00e7\u00e3o coletiva do saber \u00e9, sem d\u00favida, um ato de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Portanto, a pedagogia de Paulo Freire continua a oferecer ferramentas para resistir \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o da escola e reafirmar a educa\u00e7\u00e3o como direito, como di\u00e1logo e como pr\u00e1tica da liberdade. Seu legado inspira educadores a se posicionarem n\u00e3o como meros executores de pol\u00edticas prontas, mas como sujeitos cr\u00edticos e atuantes, comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>O desrespeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da centralidade da educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de uma sociedade democr\u00e1tica e justa, o cen\u00e1rio brasileiro tem revelado um quadro alarmante de desrespeito cont\u00ednuo \u00e0 escola, aos educadores e ao pr\u00f3prio direito de aprender. O ideal freiriano de uma educa\u00e7\u00e3o libertadora e cr\u00edtica tem sido sistematicamente amea\u00e7ado por pol\u00edticas de austeridade, discursos autorit\u00e1rios e ataques \u00e0 autonomia pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>Um dos sinais mais evidentes desse descaso est\u00e1 nos cortes de investimentos p\u00fablicos destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior. As sucessivas redu\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, o congelamento de sal\u00e1rios de professores, a aus\u00eancia de planos de carreira e a precariza\u00e7\u00e3o das estruturas escolares denunciam uma pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o do ensino e do trabalho docente. Como afirma Saviani (2008), a qualidade da educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos educadores; portanto, negligenciar esses profissionais \u00e9 comprometer o pr\u00f3prio processo educativo.<\/p>\n<p>Essa precariza\u00e7\u00e3o se intensifica com a sobrecarga de trabalho, turmas superlotadas, escassez de recursos did\u00e1ticos e infraestrutura inadequada \u2014 fatores que tornam o exerc\u00edcio da doc\u00eancia um ato de resist\u00eancia cotidiana. Paulo Freire (1996) j\u00e1 alertava que ensinar exige coragem, mas jamais deveria significar sofrimento ou abandono. A desumaniza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho do professor revela a contradi\u00e7\u00e3o entre o discurso de valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e sua pr\u00e1tica pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cresce no pa\u00eds uma onda de ataques \u00e0 liberdade de c\u00e1tedra e tentativas de criminalizar os educadores por abordagens cr\u00edticas em sala de aula. Projetos como o \u201cEscola sem Partido\u201d e movimentos conservadores acusam professores de \u201cdoutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica\u201d, especialmente quando promovem debates sobre direitos humanos, diversidade, hist\u00f3ria pol\u00edtica ou desigualdade social. Esses ataques negam a dimens\u00e3o pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o e promovem o medo e a autocensura no espa\u00e7o pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>Para Freire (1987), \u201censinar exige respeito \u00e0 autonomia do ser do educando\u201d, mas tamb\u00e9m requer autonomia do educador. Retirar do professor o direito de problematizar a realidade \u00e9 eliminar o sentido libertador da educa\u00e7\u00e3o. A sala de aula, em vez de espa\u00e7o de reflex\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, torna-se campo de vigil\u00e2ncia e disputa ideol\u00f3gica. Nesse ambiente, prevalece o controle sobre o pensamento, e n\u00e3o o est\u00edmulo \u00e0 cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A escola brasileira, assim, \u00e9 constantemente transformada em alvo de batalhas pol\u00edticas, onde o conhecimento \u00e9 substitu\u00eddo por narrativas de controle e onde a pluralidade \u00e9 vista como amea\u00e7a. Essa instrumentaliza\u00e7\u00e3o do ambiente escolar compromete o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, laica e de qualidade, e ignora que a escola deve ser lugar de encontro entre diferentes, de respeito \u00e0s diferen\u00e7as e de forma\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Frente a esse cen\u00e1rio, o pensamento de Paulo Freire se reafirma como farol \u00e9tico e pol\u00edtico. Ele nos lembra que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 neutra e que silenciar o professor \u00e9 calar o direito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Defender a escola como espa\u00e7o de liberdade, de di\u00e1logo e de humaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 resistir ao projeto de sociedade que deseja substituir o pensamento pela obedi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Educar para libertar: esperan\u00e7a e a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em meio a um cen\u00e1rio de retrocessos, ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e perda de direitos sociais, a pedagogia de Paulo Freire continua a inspirar esperan\u00e7a ativa e compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o. Mais do que um m\u00e9todo, sua obra representa uma filosofia de vida centrada na cren\u00e7a de que os seres humanos, mesmo em contextos de opress\u00e3o, podem construir sua pr\u00f3pria liberdade por meio da conscientiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Nesse sentido, educar \u00e9 um ato revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A atualidade da Pedagogia do Oprimido (FREIRE, 1987) reside exatamente na sua pot\u00eancia de mobilizar os sujeitos para a leitura cr\u00edtica do mundo e para a a\u00e7\u00e3o transformadora. Freire reconhece que todo processo educativo est\u00e1 inserido em rela\u00e7\u00f5es de poder, e que a neutralidade pedag\u00f3gica \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. Por isso, defende que a educa\u00e7\u00e3o deve se posicionar ao lado dos que s\u00e3o silenciados, marginalizados e oprimidos. Ensinar n\u00e3o \u00e9 apenas repassar conte\u00fados, mas revelar o mundo, desnaturalizar injusti\u00e7as e instigar o desejo de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Como ressalta Freire (1996), \u201censinar exige comprometimento\u201d. E esse compromisso n\u00e3o se restringe \u00e0 t\u00e9cnica ou ao curr\u00edculo, mas se estende \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 pol\u00edtica. \u00c9tica, porque trata do respeito ao outro, \u00e0 dignidade humana e \u00e0 busca por justi\u00e7a. Pol\u00edtica, porque envolve escolhas: educar \u00e9 escolher entre o conformismo e a rebeldia, entre a manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade e a luta por equidade. Nesse sentido, todo ato de ensinar \u00e9 tamb\u00e9m ato de posicionamento no mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a pedagogia freiriana insiste no papel do educador como sujeito pol\u00edtico, que, ao lado de seus alunos, deve cultivar uma pedagogia da esperan\u00e7a \u2013 n\u00e3o no sentido passivo da espera, mas como aposta no poss\u00edvel. Como afirma Gadotti (2000), Freire acreditava profundamente na capacidade dos oprimidos de se reinventarem, de se levantarem e de recriar o mundo por meio do di\u00e1logo e da a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Frente ao desmonte da escola p\u00fablica, marcado pela precariza\u00e7\u00e3o das estruturas, desvaloriza\u00e7\u00e3o dos profissionais e tentativa de esvaziamento cr\u00edtico do curr\u00edculo, educar com base em Freire \u00e9 resistir. \u00c9 dizer \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da escola a uma engrenagem de produtividade, e \u201csim\u201d \u00e0 escola como espa\u00e7o de sonho, de escuta e de consci\u00eancia. Resistir n\u00e3o significa apenas denunciar os ataques, mas construir cotidianamente pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas libertadoras, mesmo nas brechas, mesmo nas adversidades.<\/p>\n<p>Assim, educar para libertar n\u00e3o \u00e9 utopia ing\u00eanua, mas projeto pol\u00edtico de longo alcance. \u00c9 a\u00e7\u00e3o concreta movida por um sonho coletivo. Em tempos sombrios, lembrar Paulo Freire \u00e9 reacender a chama da dignidade humana, da justi\u00e7a social e da radicalidade do amor pedag\u00f3gico. Como ele mesmo escreveu: \u201ca esperan\u00e7a precisa da pr\u00e1tica para tornar-se concreta\u201d (FREIRE, 1996, p. 97).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o: Paulo Freire como farol<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de apagamento simb\u00f3lico e material da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, revisitar Paulo Freire \u00e9 acender um farol em meio \u00e0 escurid\u00e3o da ignor\u00e2ncia imposta, da intoler\u00e2ncia promovida e da injusti\u00e7a institucionalizada. O legado freiriano segue vivo n\u00e3o apenas em livros ou c\u00e1tedras, mas sobretudo nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas comprometidas com a vida, com o di\u00e1logo e com a transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Reafirmar o compromisso com uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, cr\u00edtica e humanizadora \u00e9 reconhecer que a escola deve ser espa\u00e7o de resist\u00eancia e de emancipa\u00e7\u00e3o \u2014 e n\u00e3o de adestramento ou silenciamento. \u00c9 reafirmar que todo sujeito tem direito de aprender a ler o mundo e a reescrev\u00ea-lo a partir de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, cultura e vis\u00e3o de futuro. Para Freire (1987), ningu\u00e9m educa ningu\u00e9m sozinho: a educa\u00e7\u00e3o acontece na partilha, no encontro, na escuta e na a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a educa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 fundamento da democracia. N\u00e3o h\u00e1 democracia sem sujeitos conscientes, sem participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, sem o exerc\u00edcio pleno do pensamento. Atacar a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 atacar a possibilidade de um povo pensar por si, decidir sobre seu destino e romper com as estruturas que o oprimem. Por isso, os ataques \u00e0 escola p\u00fablica e aos professores s\u00e3o, no fundo, ataques ao pr\u00f3prio projeto de sociedade justa e plural.<\/p>\n<p>Paulo Freire nos ensina que ensinar a pensar \u00e9 preparar para transformar. E essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 individualista ou meramente t\u00e9cnica: \u00e9 hist\u00f3rica, social, \u00e9tica e pol\u00edtica. Ao formar sujeitos cr\u00edticos, solid\u00e1rios e ativos, a educa\u00e7\u00e3o freiriana semeia as bases de um mundo mais justo, onde a dignidade de cada pessoa seja reconhecida e onde o conhecimento sirva \u00e0 liberdade \u2014 e n\u00e3o \u00e0 domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, manter viva a pedagogia de Freire \u00e9 tamb\u00e9m resistir \u00e0 barb\u00e1rie, ao autoritarismo e \u00e0 exclus\u00e3o. \u00c9 afirmar que educar \u00e9 um ato de amor, de coragem e de esperan\u00e7a. E, sobretudo, \u00e9 lembrar que toda vez que uma escola abre suas portas ao di\u00e1logo e ao pensamento cr\u00edtico, um pouco da utopia de Freire se realiza \u2013 concreta, cotidiana, profundamente humana.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. <em>Pedagogia do oprimido<\/em>. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. <em>Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1996.<\/p>\n<p>FRIGOTTO, Gaud\u00eancio. <em>A produtividade da escola improdutiva<\/em>. 6. ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2011.<\/p>\n<p>GADOTTI, Moacir. <em>Paulo Freire: uma biobibliografia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2000.<\/p>\n<p>SAVIANI, Dermeval. <em>Hist\u00f3ria das ideias pedag\u00f3gicas no Brasil<\/em>. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>*Ricardo Jorge Silveira Gomes <\/strong><\/em>&#8211; <em>Doutor e Mestre em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (UNICAP), Especialista em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Licenciado em Hist\u00f3ria pela Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da Zona da Mata Sul (FAMASUL). Membro Efetivo da Academia Cabense de Letras \u2013 ACL. Membro Efetivo do Instituto Hist\u00f3rico, Arqueol\u00f3gico, Geogr\u00e1fico e Cultural do Cabo de Santo Agostinho.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Jorge Silveira Gomes* Em 28.06.2025 APRESENTA\u00c7\u00c3O Em um Brasil cada vez mais marcado por pol\u00edticas educacionais tecnicistas e por um discurso de desvaloriza\u00e7\u00e3o da<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"wpmdr_menu":0,"wpmdr_menu_extended":{"individualPostRemove":1,"individualPostRemoveDate":1,"individualPostRemoveAuthor":1,"individualPostYoastRemovePublished":1,"individualPostYoastRemoveModified":1},"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-19712","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":18585,"url":"https:\/\/falouedisse.blog.br\/?p=18585","url_meta":{"origin":19712,"position":0},"title":"Paulo Freire, o homem que ensinava e queria transformar o mundo","author":"","date":false,"format":false,"excerpt":"ICL Not\u00edcias Em 05.04.2025 O educador brasileiro mais citado do mundo \u00e9 tamb\u00e9m o mais atacado pela extrema direita. 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