Candeias pede socorro
José Ambrósio dos Santos*
Em 03.09.2026
Passear pela praia pisando na água é algo que não tem preço, certo? Muito bem, mas em Candeias e Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, tem hora. Sim senhor, sim senhora. Tem hora sim. Impossível caminhar em alguns trechos das duas praias com a maré cheia. A água que você pisava tranquilamente poderá lhe jogar contra pedras de proteção ou mesmo paredões de concreto de alguns imóveis construídos por proprietários para conter o avanço do mar.

Os poucos coqueiros estão sendo engolidos pelo mar. Moradores e banhistas pedem socorro.
Se não se pode caminhar, também não se pode comercializar, e antigos barraqueiros foram forçados a deslocar suas mesas, cadeiras, guarda-sóis e outros equipamentos para pontos mais seguros.
E o pior é que não há solução à vista. Ou melhor; não há solução com data prevista anunciada, nem mesmo com o calendário eleitoral batendo na porta.
Isso porque, solução existe, SIM. Há 13 anos, a um custo de cerca de R$ 40 milhões, o prefeito Elias Gomes realizou a engorda nas três praias (Barra de Jangada, Candeias e Piedade), que ganharam entre 30 e 45 metros de areia em maré alta em toda sua extensão, em torno de 5,8 km. A obra que devolveu vida a toda a orla da cidade, entretanto, exigia manutenção a partir do quinto ano da sua realização. Um enorme banco de areia foi deixado de reserva, em Piedade, pouco depois do Clube do Sesc, na altura da Curva do Esse. A reserva já não existe. Em seu lugar, um canteiro de obras de um novo prédio.
Na linha do horizonte, promessas de prefeito, estudos, novos estudos, novas promessas de outro prefeito, mais estudos, medições que dão esperança a quem observa, e só. Blá, blá, blá.
Enquanto isso, a cada 12 horas e 25 minutos, não tem conversa. O mar é soberano. Ninguém passa. A não ser contornando esses trechos pela calçada da avenida Bernardo Vieira de Melo.
Como diz a amiga Lourdinha Teles, é luta.
*José Ambrósio dos Santos é jornalista, escritor e integrante da Academia Cabense de Letras.
Imagens: José Ambrósio dos Santos

Assim fica difícil. Como é possível o poder público ver tamanha atrocidade e,mesmo assim, não fazer nada?