Projeto Amigo Literário movimenta Uninassau – Campus Costa Dourada
José Ambrósio dos Santos*
Em 21.11.2025
A Uninassau Campus Costa Dourada, no Cabo de Santo Agostinho, iniciou na quarta-feira(19.11) o Projeto Amigo Literário, no qual autores e autoras apresentam seus livros para estudantes e funcionários. Na abertura, entre as 09h e as 12h30, tive a oportunidade de falar sobre o meu trabalho que inclui a publicação de cinco livros.
Os livros refletem sobre o protagonismo de personagens cabenses ou radicados no município que muito fizeram pela cidade, por sua cultura e a sua gente. São eles: Rádio Calheta FM – 20 anos fazendo valer os direitos do povo cabense (2020); Douglas Menezes, um operário da Letras (2022); A MÃE DE JUÇARAL (2023); ARMÍNIO DA PAZ (2024) e A MENINA DOS OLHOS GRANDES – Contos, crônicas e outros escritos (2025).
Todos os livros estão presentes na Biblioteca Municipal Joaquim Nabuco e em escolas municipais, estaduais e particulares, o que possibilita que os legados dos homenageados – todos inspiradores – sejam conhecidos por gerações.

O livro Rádio Calheta FM – 20 anos fazendo valer os direitos do povo cabense aborda a trajetória de uma emissora que se constituiu desde a sua fundação em um importante instrumento de cidadania com o seu bordão Faça valer o seu direito de cidadão cabense, um mantra na voz do seu diretor e locutor Ely José, o Batata.
Já o livro Douglas Menezes, um operário da Letras, reúne parte do legado daquele que foi o maior cronista da cidade do Cabo de Santo Agostinho nas últimas quatro décadas. Douglas foi ainda poeta, contista, escritor, compositor e professor. Douglas faleceu na Quarta-feira de Cinzas de 2020.
O terceiro livro, A MÃE DE JUÇARAL, conta a história da enfermeira e missionária francesa Colette Catta, que protagonizou uma das mais belas histórias de amor e dedicação ao próximo vividas nos últimos 40 anos no Cabo de Santo Agostinho.
Colette Catta salvou muitas crianças da morte certa, por desnutrição, e mudou o destino de centenas de jovens cujo futuro eram a dureza dos canaviais ou biscates na paupérrima Juçaral dos anos 1970, quando ela lá chegou. Sua ação a credenciou a ser agraciada pelo governo francês com a insígnia de Cavaleira da Ordem Nacional do Mérito outorgada pelo presidente François Miterrand, em 1989. Colette também recebeu o título de Cidadã Cabense em 2008. Ela chegou a Juçaral em 1974 e faleceu em 2016, aos 95 anos de idade.
Por sua vez, o livro ARMÍNIO DA PAZ narra a trajetória do franciscano Armínio Guilherme dos Santos, cuja ação altruísta fez uma comunidade pobre constituída por recicladores de lixo adotar o seu nome, alterando-o para Armínio da Paz.
Um reconhecimento respeitoso e carinhoso ao menino de engenho e peão de usina que se tornou empresário e fundou a rede de supermercados Arco-íris, hoje Arco-Mix, presente em vários municípios da Região Metropolitana do Recife. O franciscano que nunca precisou de muito para ser feliz e repartir com os mais necessitados faleceu no dia 27 de setembro de 1995, aos 67 anos de idade.
O livro mais recente, A MENINA DOS OLHOS GRANDES – Contos, crônicas e outros escritos, lançado em setembro deste ano, reúne 40 textos que refletem sobre o dia a dia desses tempos conturbados no Brasil e no mundo. Relatos de entrega, desprendimento, injustiças, altruísmo, dor, superação, alegrias, fantasias, utopias e sonhos.
O conto A menina dos olhos grandes, que dá título à publicação, é baseado em fatos ocorridos em uma cidade da Região Metropolitana do Recife (RMR). Maria das Graças é um nome fictício e ela é hoje uma destacada profissional liberal cuja história de superação, narrada em concorridas palestras, vem inspirando e despertando para a conscientização e luta contra a discriminação social, racial, de gênero e o bullying.
Entre a a infância e a adolescência Maria das Graças chegou a fazer promessa a Santa Luzia rogando que os seus olhos fossem diminuídos.
Neto de Armínio Guilherme dos Santos, o Armínio da Paz, Eduardo Felipe dos Santos (Duda) acompanhou os trabalhos e em vários momentos deixou clara a emoção de ouvir e falar sobre o seu avô paterno, que partiu quando ele ainda nem completara dez anos de idade. “Convivi pouco com o vovô porque ele vivia na rua, construindo essa bela e inspiradora história.”
Duda também se emocionou ao folhear o livro Douglas Menezes, um operário da Letras, que traz a crônica Seu Duca, seu outro avô. Na página 56 Douglas escreveu sobre o respeitado sapateiro da Rua da Matriz, que faleceu em 1996: “…Um comerciante a não olhar o lucro como meta maior, mas a satisfação de uma clientela bem mais amiga que compradora.”
Sorridente, Duda contou que seu Duca certa noite recebeu em sua residência a visita de Luiz Gonzaga. Estava seu Duca consertando um sapato quando escutou um diferente Ô de casa! Esperou um pouco e a saudação se repetiu: Ô de casa! É aqui que mora Duquinha Sapateiro? Seu Duca abraçou com alegria o rei do Baião, que precisava consertar suas alpercatas. Jantaram juntos, cantaram e prosearam.
*José Ambrósio dos Santos é jornalista, escritor e integrante da Academia Cabense de Letras.
Foto destaque: Divulgação
