O vazio do tempo
Valéria Saraiva*
Em 17.08.2020
Fico pensando no tempo. Pra algumas pessoas, ele passa rápido demais. Na verdade, é porque dentro desse período em que você julga que o tempo passou muito rápido, ele apenas passou. Só que sem ser observado por você.
O que realmente acontece com o tempo que parece fluir com a rapidez da areia de uma ampulheta é que enquanto o tempo está passando nós estamos muito ocupados para percebê-lo.
Somos a geração mais estressada da história. Os pais não brincam com seus filhos. As pessoas estão sempre focadas em suas carreiras em detrimento da família e dos amigos.
Muita gente acaba adoecendo devido ao estresse. Porque o corpo padece pela negligência com a própria saúde.
Não investimos em saúde, qualidade de vida, deixamos de lado a espiritualidade, a família e não priorizamos nem mesmo o lazer.
As consequências disso são pessoas doentes física e emocionalmente.
Geralmente essas pessoas têm muita ambição e criam metas absurdas, que quando alcançadas não trazem a satisfação almejada. Para elas, nada é suficiente. Elas colocam sua felicidade em coisas, objetos, promoções no trabalho. Essas coisas não preenchem o vazio existencial que sentem.
É preciso cultivar bens mais preciosos: fortalecer os laços com a família e os amigos; confraternizar com eles e ter momentos simples de lazer. Esses momentos, com certeza, valem mais do que a aquisição de um objeto.
Tem uma frase que ouvi muito na infância:
– Caixão não tem gaveta.
Não adianta focar só em dinheiro e esquecer a vida pessoal, pois a saúde cobra depois. E cobra caro.
De repente, já se passaram 20 anos e tudo que você possui se resume a um teto, paredes e móveis.
Sim, é possível curtir a solidão de forma saudável, como um momento de cuidar da própria autoestima.
Mas, como disse o poeta inglês John Donne, que viveu no século 17:
“Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo.”
John Donne
Somos feitos pra viver em sociedade e precisamos uns dos outros.
*Valéria Saraiva é enfermeira, poetisa, cronista, autora do livro “Lírios, Tulipas e escorpiões” e membro da Academia Cabense de Letras. Escreve às segundas-feiras.
Foto destaque: dicionariodesimbolos.com.br
Excelente Valéria, continua que você não tem limites. Parabéns