Educação

Paulo Freire, o homem que ensinava e queria transformar o mundo

ICL Notícias

Em 05.04.2025

O educador brasileiro mais citado do mundo é também o mais atacado pela extrema direita. Entenda por que Paulo Freire incomoda tanto — e por que você ainda precisa lê-lo

Você já se perguntou por que o nome de Paulo Freire aparece com tanta frequência nos debates sobre educação, política e ideologia?

Não é à toa. O educador brasileiro, nascido em 1921 no Recife, é uma das figuras mais estudadas, reverenciadas e atacadas da história recente do país. Não pela pedagogia em si, mas pelas consequências políticas da prática que ele propôs.

Quando você ouve falar em “educação libertadora”, “conscientização” ou “leitura do mundo”, há ali um traço direto da pedagogia freiriana. O incômodo que ele ainda causa revela o alcance das suas ideias.

Neste artigo, você vai entender quem foi Paulo Freire, por que seu trabalho ultrapassou a sala de aula e por que seus livros continuam em alta mesmo décadas depois da sua morte.

O que você precisa saber para entender Paulo Freire?

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 1921, no Recife. Era filho de uma família de classe média que sofreu com a instabilidade econômica depois da crise de 1929. A experiência precoce com a fome, a insegurança e a desigualdade social virou o ponto de partida para uma vida voltada à educação como prática política.

Paulo Freire estudou Direito, mas nunca advogou. A primeira e única causa que assumiu foi também a última: perdeu, viu o cliente quebrar e decidiu que aquele não era o seu lugar. Preferiu ensinar. Começou dando aulas de português e logo passou a ocupar cargos ligados à educação no SESI e em universidades de Pernambuco.

Desde cedo, entendeu que ensinar era mais do que repassar conteúdos. Era escutar, observar e pensar a realidade junto com quem está em sala. Freire não tratava alunos como massa de modelagem. Considerava que toda pessoa tem bagagem — mesmo que não tenha diploma. Foi com essa percepção que surgiu sua proposta de alfabetização.

Primeiras experiências com alfabetização

Nos anos 1940, o Brasil ainda carregava índices altíssimos de analfabetismo entre adultos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. As campanhas de alfabetização oficiais apostavam em cartilhas genéricas, com letras soltas e frases que pouco ou nada diziam ao cotidiano de quem vivia no campo ou em periferias urbanas. A estratégia era repetir fonemas — não formar leitores.

Freire começou a atuar com educação popular nesse contexto. Ele entendia que métodos pensados para crianças da classe média urbana não funcionavam com trabalhadores rurais, operários ou domésticas. Não se tratava apenas de ensinar a ler. Era preciso conversar com essas pessoas a partir do que elas já sabiam — e esse saber não estava nos livros.

Foi aí que nasceu a ideia de trabalhar com palavras geradoras. Em vez de começar com o B-A = BÁ, o processo de alfabetização partia de palavras como “terra”, “enxada”, “trabalho” ou “sede”. Termos familiares, carregados de significados, que permitiam aos alunos reconhecer sons, letras e também refletir sobre sua própria condição social.

Explicação do método Paulo Freire de alfabetização. Foto: reprodução
Explicação do método Paulo Freire de alfabetização. Foto: reprodução

Essa abordagem estava longe de ser assistencialista. Ela ia à raiz. Ao propor que o alfabetizando refletisse sobre sua experiência, Paulo Freire estava abrindo espaço para um tipo de aprendizado que mexia com a consciência de classe, o sentimento de pertencimento e a percepção crítica do mundo.

Educação como prática de liberdade

Paulo Freire dizia que a educação nunca é neutra. Ou ela forma sujeitos capazes de intervir na realidade, ou reforça a lógica da obediência. Isso não é metáfora. É uma leitura da função social da escola num país como o Brasil.

A pedagogia tradicional, baseada na repetição e na autoridade, cumpre um papel: manter o estudante em posição passiva. O professor fala, o aluno escuta. O conteúdo é imposto, não discutido. O resultado disso é a reprodução das hierarquias de fora da escola — entre classes, raças, gêneros e territórios.

Freire propôs uma inversão: colocar o educando como protagonista. Reconhecer seus saberes, suas vivências, suas perguntas. Usar o diálogo como método. A escola, nesse modelo, deixa de ser um espaço de adestramento e passa a ser espaço de disputa simbólica e política.

Não se trata apenas de ensinar a ler e escrever. Trata-se de formar consciência crítica. Ao propor uma pedagogia baseada na escuta e na participação, Freire coloca em xeque o autoritarismo que sempre marcou o sistema educacional brasileiro. Ele entende que aprender é também aprender a se posicionar no mundo. E isso, para muita gente, é perigoso.

O que é o método Paulo Freire?

Dizer que o “método Paulo Freire” fracassou porque a educação brasileira vai mal é repetir uma distorção. O método nunca foi aplicado em escala nacional. O que existe são experiências pontuais, geralmente vinculadas a políticas locais ou a movimentos sociais.

E isso tem uma explicação: o método não foi desenhado para escolas formais ou ensino infantil. Era uma proposta de alfabetização de adultos em contextos de exclusão, estruturada em três pilares:

1. O aluno não é um recipiente vazio

A metáfora que Freire combateu com mais força foi a da “educação bancária”. Nela, o professor deposita conhecimento e o aluno recebe passivamente. Freire propôs outra lógica: todo educando já tem vivências, saberes e formas de interpretar o mundo. O papel do educador é dialogar com isso — não impor uma visão.

2. O ponto de partida é o cotidiano

A alfabetização, para Freire, começa com palavras que fazem parte do dia a dia de quem está aprendendo. Isso não é só uma estratégia pedagógica. É também política: dizer que o mundo vivido pelo oprimido importa. Que a vida real não é um obstáculo para aprender, mas o próprio terreno de aprendizado.

3. A alfabetização precisa gerar consciência

Não basta decodificar palavras. A leitura da palavra tem que vir junto com a leitura do mundo. O objetivo não era apenas formar leitores funcionais. Era formar sujeitos conscientes, capazes de identificar as estruturas que limitam suas vidas — e dispostos a transformá-las.

O caso de Angicos (RN)

A experiência mais conhecida do método foi em 1963, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. Ali, 300 trabalhadores foram alfabetizados em apenas 40 horas de aula. Parece milagre, mas era organização. O projeto tinha apoio do governo federal, articulação com universidades e engajamento da comunidade local.

Paulo Freire com estudantes em frente à escola onde aconteceram as “40 horas de Angicos”, em 1963. Foto: Tribuna do Norte
Paulo Freire com estudantes em frente à escola onde aconteceram as “40 horas de Angicos”, em 1963. Foto: Tribuna do Norte

A eficácia do método incomodou setores conservadores. Quando trabalhadores começaram a reivindicar direitos depois de aprender a ler, o alarme soou nas elites locais. Pouco tempo depois, o golpe militar de 1964 desmobilizou o Plano Nacional de Alfabetização — que já contava com apoio de João Goulart e previa a criação de milhares de círculos de cultura baseados nas ideias de Freire.

O método freiriano foi interrompido no Brasil antes de começar. Enquanto isso, seria adotado — e adaptado — em países da África, da América Latina e até da Escandinávia, com resultados reconhecidos por organizações como a Unesco.

Exílio e repercussão internacional

Paulo Freire passou de preso político a referência global em menos de uma década. Depois do golpe de 1964, foi detido em Recife e passou 70 dias na prisão. Acusado de subversão, acabou exilado. Primeiro na Bolívia, depois no Chile. Nos anos seguintes, passou por Genebra, nos bastidores das Nações Unidas, e lecionou em Harvard, nos Estados Unidos.

Enquanto era silenciado no Brasil, suas ideias ganhavam corpo e adesão em vários continentes. A repressão não interrompeu sua produção. Pelo contrário. O exílio forçou Freire a pensar sua pedagogia em diálogo com outras culturas e outras lutas. E o mundo respondeu.

A trajetória internacional de Paulo Freire

No Chile, logo após deixar o Brasil, Freire trabalhou com programas de alfabetização de camponeses. Era um país em transformação, com forte presença dos movimentos populares. Foi ali que ele sistematizou a base de sua teoria e escreveu Educação como Prática da Liberdade.

Em 1969, foi convidado para dar aulas na Universidade de Harvard. Em seguida, estabeleceu residência em Genebra, onde atuou como consultor do Conselho Mundial de Igrejas.

Nesse papel, viajou por dezenas de países da Ásia, América Latina e África. Participou diretamente da formulação de políticas educacionais em contextos de descolonização. Era uma pedagogia em movimento.

Traduções e circulação global

Pedagogia do Oprimido saiu em 1968, no Chile. Foi escrito em português, publicado em espanhol e só depois traduzido para o inglês. Desde então, nunca parou de circular. Já são mais de 40 idiomas. O livro se tornou leitura obrigatória em programas de formação docente e cursos de ciências sociais, especialmente nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e países africanos de língua portuguesa.

Segundo o Google Scholar, é o terceiro livro mais citado no mundo nas áreas de humanidades e ciências sociais. Nenhum outro autor latino-americano chegou tão longe.

A pedagogia de Paulo Freire influenciou sindicatos, igrejas progressistas, ONGs, movimentos estudantis e experiências educativas de base popular. Ela se tornou referência para quem entende a educação como instrumento de transformação social.

Paulo Freire e a África

Na África, o encontro com a pedagogia freiriana foi direto. Países recém-independentes como Guiné-Bissau, Angola e Moçambique precisavam reconstruir seus sistemas educacionais a partir do zero — depois de séculos de colonização portuguesa. Paulo Freire foi chamado para ajudar.

Freire trabalhou com educadores locais. Levou sua abordagem dialógica, baseada na escuta e no contexto, e a colocou a serviço de lutas verdadeiras: alfabetizar camponeses, formar quadros técnicos, construir identidades nacionais.

Em vez de repetir o padrão europeu de ensino, os países africanos que contaram com Freire criaram propostas próprias, com base na realidade local.

Na África do Sul, Paulo Freire também foi lido e discutido dentro do movimento da Consciência Negra. Steve Biko, referência do antirracismo no país, viu na pedagogia freiriana uma ferramenta de resistência cultural e afirmação política. Não à toa, o nome de Freire circulava em universidades e igrejas negras mesmo durante o regime do apartheid.

Docência e gestão pública

Com a anistia, Paulo Freire voltou ao Brasil em 1980. Já reconhecido internacionalmente, escolheu se reaproximar da realidade brasileira por dentro da política e da universidade.

Passou a lecionar na PUC-SP e na Unicamp, onde participou da formação de professores, educadores populares e militantes. Também ajudou a estruturar os programas de alfabetização do Partido dos Trabalhadores, ao qual se filiou.

Em 1989, assumiu a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, convidado por Luiza Erundina, recém-eleita prefeita da capital. Era a primeira vez que Freire ocupava um cargo executivo em uma grande cidade. Ali, precisou lidar com a máquina pública, a burocracia e as disputas políticas internas — sem abandonar seus princípios.

Políticas públicas com base freiriana

Durante sua gestão, foram implementadas ações voltadas à valorização da carreira docente: concursos públicos, ampliação de vagas na formação continuada e maior autonomia pedagógica nas escolas.

Freire também priorizou a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Criou o MOVA — Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos — como proposta descentralizada, enraizada nos territórios e baseada no diálogo com comunidades locais. Até hoje, o MOVA inspira projetos em outras capitais e municípios do país.

O enfrentamento à evasão escolar, o incentivo à escuta dos estudantes e a defesa da escola pública como espaço de cidadania foram algumas das marcas do período. Mas nem tudo correu em paz.

Ataques e resistência

Freire foi alvo de críticas constantes por parte de setores conservadores, inclusive dentro da imprensa. Questionava-se sua atuação como gestor, sua influência ideológica e sua associação com o PT. O debate sempre esteve carregado de disputas sobre o papel da escola na sociedade.

Mesmo assim, sua passagem pela gestão pública deixou um legado: políticas educacionais que dialogam com a realidade dos estudantes e professores, sem recorrer a fórmulas importadas ou imposições verticais.

Patrono da educação brasileira

Paulo Freire morreu em 2 de maio de 1997, em São Paulo, aos 75 anos. Até o fim da vida, manteve-se ativo como professor, palestrante e escritor. Deixou uma obra extensa, composta por livros, artigos, cartas e entrevistas, além de uma base sólida para quem pensa a educação como prática social e política.

Em 2012, por iniciativa da deputada Luiza Erundina, o Congresso aprovou a lei que o declarou Patrono da Educação Brasileira. A sanção presidencial foi mais do que simbólica: foi o reconhecimento do Estado brasileiro ao educador que havia sido preso, exilado e perseguido por seus ideais.

Reconhecimento fora do país

Antes mesmo de ser reconhecido oficialmente pelo Brasil, Freire já havia recebido dezenas de homenagens em universidades ao redor do mundo.

São mais de 35 títulos de Doutor Honoris Causa, prêmios da Unesco, estátuas em escolas e institutos, e cátedras universitárias com seu nome em países da América Latina, da Europa, da África e dos Estados Unidos.

Seus livros seguem entre os mais citados na área de ciências sociais, especialmente Pedagogia do Oprimido, que atravessou fronteiras e chegou a mais de 20 idiomas. Mais do que um pensador, Freire virou referência prática para experiências pedagógicas voltadas à transformação social.

Capa de “Pedagogia do Oprimido”, publicado em 1968. Escrito no exílio, o livro virou leitura obrigatória em universidades do mundo inteiro. Foto: Amazon
Capa de “Pedagogia do Oprimido”, publicado em 1968. Escrito no exílio, o livro virou leitura obrigatória em universidades do mundo inteiro. Foto: Amazon

A guerra ideológica em torno de Paulo Freire

Nos últimos anos, Paulo Freire passou a ocupar um lugar central na retórica da extrema direita brasileira. Tornou-se alvo simbólico de um projeto político que disputa o sentido da escola, da universidade e da formação crítica.

Durante a campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro afirmou que iria “expurgar Paulo Freire” das diretrizes educacionais do país. Seu governo colocou esse plano em prática.

Abraham Weintraub, então ministro da Educação, declarou que o monumento a Freire em frente ao MEC era uma “lápide da educação brasileira”. A frase era parte de uma ofensiva sistemática contra qualquer proposta educacional que dialogue com desigualdade, direitos ou consciência política.

O ataque a Freire não parte do desconhecimento — parte da estratégia. Ao reduzir a pedagogia crítica à “doutrinação”, o que se pretende é controlar o espaço da escola, transformando-a num ambiente de reprodução silenciosa de valores conservadores.

Escola Sem Partido e o monitoramento da sala de aula

Criado nos anos 2000, o movimento Escola Sem Partido ganhou força entre 2015 e 2018, com forte apoio da nova direita nas redes sociais e no Congresso.

A proposta era simples na aparência: defender a “neutralidade” do ensino. Mas, na prática, os projetos de lei e ações promovidas pelo grupo buscavam censurar professores, eliminar debates sobre desigualdade e criminalizar qualquer abordagem crítica no ambiente escolar.

Paulo Freire virou o principal alvo. Era citado como símbolo de tudo o que deveria ser retirado das escolas. Seus livros foram atacados, seu nome demonizado. Em alguns casos, cartazes com sua imagem foram arrancados de salas de aula, e educadores que mencionavam suas ideias eram acusados de “militância”.

A ironia: Freire sempre defendeu que a escola fosse um espaço de diálogo, escuta e pensamento autônomo. Não se tratava de ensinar o que pensar, mas de criar as condições para que o estudante pensasse por conta própria.

Acusações de doutrinação

Entre os principais argumentos usados contra Freire, o mais repetido é o da “doutrinação ideológica”. A acusação também aparece em discursos parlamentares, programas de TV e postagens de influenciadores ligados à nova direita. Mas ela não se sustenta diante da obra do autor.

Paulo Freire não propõe catequese política. Sua pedagogia parte do pressuposto de que ninguém educa ninguém: as pessoas se educam em relação umas com as outras, mediadas pela realidade.

O papel do educador, para Freire, é criar situações de aprendizagem em que o estudante consiga refletir criticamente sobre o mundo que vive — e não absorver dogmas prontos.

O que dizem os livros de Paulo Freire?

Quem leu Pedagogia do OprimidoPedagogia da Autonomia ou A importância do ato de ler sabe que a proposta freiriana não gira em torno de partidos, slogans ou ideologias fechadas. A preocupação central está na formação do sujeito como cidadão consciente de seu lugar no mundo.

Freire parte da realidade do educando, do seu vocabulário, das suas experiências. A alfabetização, no seu método, começa por palavras que fazem sentido na vida concreta: “terra”, “trabalho”, “seca”, “injustiça”. O conteúdo vem da escuta, da experiência e da análise coletiva. Não há doutrinação onde há escuta ativa e construção compartilhada do conhecimento.

A pedagogia freiriana incomoda porque propõe o oposto da submissão. Ela convida à pergunta, à investigação e à ação. Em tempos de ataques à educação pública, Freire se tornou um obstáculo para quem prefere uma escola disciplinadora, sem conflito, sem voz, sem política.

Na prática, chamar Paulo Freire de doutrinador é uma forma de tentar interditar o debate sobre desigualdade, exclusão e projeto de país. É uma disputa ideológica, sim — mas não da parte de Freire. A tentativa de expulsar suas ideias da educação brasileira é uma ação política concreta, com objetivo claro: manter tudo como está.

Por que ainda vale a pena ler Paulo Freire?

Freire escreveu nos anos 1960, mas os dilemas que ele enfrentava continuam por aqui. O analfabetismo funcional ainda assombra o país. A desigualdade segue marcando o acesso à educação. A escola, muitas vezes, é tratada como um espaço de adestramento, não de formação crítica.

Freire parte de um ponto: toda educação é política. Não existe neutralidade. O modo como você ensina revela de que lado está. Ou a escola forma para a crítica ou forma para a submissão. Fingir que isso não existe é jogar o debate para debaixo do tapete.

Ler Paulo Freire hoje é disputar o que a escola deve ser. É defender a formação de sujeitos autônomos, não só de trabalhadores ajustados ao mercado. É se posicionar contra o esvaziamento do ensino público, contra a militarização da educação e contra a censura nas salas de aula.

Mais que um título oficial, o reconhecimento de Paulo Freire como patrono da educação brasileira celebra sua trajetória como educador popular e sua luta por uma escola que liberte — não que silencie. Foto: MST
Mais que um título oficial, o reconhecimento de Paulo Freire como patrono da educação brasileira celebra sua trajetória como educador popular e sua luta por uma escola que liberte — não que silencie. Foto: MST

Frases de Paulo Freire para pensar

  • “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”
  • “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
  • “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo.”
  • “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.”
  • “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.”
  • “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

Essas frases não foram escritas para serem repetidas sem pensar. Elas existem para provocar, para desmontar certezas, para virar do avesso aquilo que foi normalizado. Freire não suaviza o debate. Ele força o olhar para onde incomoda. E nesse incômodo, convida você a agir.

Por que ainda te pedem para esquecer Paulo Freire?

Paulo Freire incomoda. Incomoda, porque sua pedagogia questiona a estrutura, a desigualdade e a lógica autoritária da escola tradicional. Não à toa, virou alvo da extrema direita. Mas quem leu “Pedagogia do Oprimido” sabe que o que ele propõe é diálogo, não doutrinação.

Ignorar Freire é uma escolha. E quase sempre, essa escolha favorece quem prefere uma escola disciplinada, calada, voltada para desempenho — não para a consciência.

Entender quem foi Paulo Freire é entender o que está em disputa quando se fala em educação no Brasil. Seu legado não é uma fórmula pronta. É uma ferramenta. E para quem vive à margem, a ferramenta é sobrevivência.

Paulo Freire não é passado

Freire não virou símbolo à toa. O que ele escreveu não ficou parado nos anos 1960. Seu pensamento continua em disputa porque toca em feridas abertas: desigualdade, exclusão, autoritarismo. Ele falou de um país que ainda existe.

Não é sobre transformar todo professor em militante. É sobre entender que ensinar é um ato político. Que a escola pode ser reprodutora de injustiças ou espaço de formação crítica. E que decidir fingir neutralidade é, no fim, escolher um lado — mesmo sem admitir.

Se hoje há quem queira apagar Freire do debate público, não é porque ele falhou. É justamente porque ele acerta demais.

Por isso, você ainda precisa ler Paulo Freire. Não para concordar com tudo. Mas para entender o que está em jogo quando se fala de educação no Brasil. E para lembrar que a ignorância nunca é só falta de informação. Às vezes, é projeto.

Imagem destaque: Acervo pessoal Nita Freire

 

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