Quadrinho retrata massacre de crianças indígenas na Guerra do Paraguai
Mariana Lima/Observatório do 3º Setor
Em 30.04.2021
O quadrinho ‘Guarani: a terra sem mal’ apresenta novos olhares sobre a Guerra do Paraguai, o conflito mais sangrento da América do Sul
A Guerra do Paraguai (1864 – 1870) foi o conflito armado mais sangrento da América do Sul, tendo dizimado 90% da população masculina do Paraguai. Ainda hoje, há poucos registros em quadrinhos em relação ao conflito.
Contudo, a história da batalha que durou seis anos acaba de ganhar uma nova versão no formato de História em Quadrinhos (HQ), desta vez pela ótica de uma dupla de autores argentinos.
Escrita por Diego Agrimbau e ilustrada por Gabriel Ippóliti, ‘Guarani: a terra sem mal’ (Comix Zone) parte da história ficcional de um fotógrafo estrangeiro para mostrar por meio dos desenhos, quadro a quadro, o trágico confronto entre a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai contra o mesmo inimigo: o Paraguai.
Ao chegar ao porto de Montevidéu para o trabalho de fotografar mulheres indígenas do povo Guarani, o francês Pierre Duprat quase é convocado para reforçar o exército paraguaio. É o primeiro choque de realidade do protagonista do quadrinho na América do Sul do século XIX.
Junto a dois colegas de profissão locais, que irão fotografar o conflito, Duprat começa sua expedição com a desculpa do registro etnográfico.
Ao mergulhar no país, o personagem de grande estatura e massa corporal parece encolher em meio à brutalidade da guerra. Estima-se que o número total de mortos tenha ultrapassado 300 mil. A maior parte, de paraguaios.
Mesmo com a proibição dos oficiais militares de qualquer registro desfavorável ao exército, Duprat consegue registrar parte do conflito.
Vale pontuar que Brasil e o Paraguai têm versões diferentes do conflito: para o Brasil, a batalha começou quando os paraguaios capturaram o vapor brasileiro Marquês de Olinda em 12 de novembro de 1864, enquanto os paraguaios consideram o estopim da batalha a invasão do Uruguai pelo Brasil, realizada um mês antes.
O presidente paraguaio Solano López chegou a convocar indígenas, mulheres e até crianças para o front do conflito ao longo dos seis anos de guerra.
Um dos últimos confrontos foi a Batalha de Acosta Ñu, na qual 3.500 crianças paraguaias, algumas com barbas e bigodes falsos pintados com carvão, enfrentaram até a morte 20 mil soldados inimigos.
O massacre, ocorrido no dia 16 de agosto de 1869, durou sete horas e ficou marcado na memória da população paraguaia, tornando-se o Dia das Crianças do país.
Fonte: O Globo