Luzarcus Presente
Tereza Soares*
Em 14.10.2025
Hoje é terça, dia 14 de outubro, e eu me apressei para sair de Enseada dos Corais em direção à Câmara de Vereadores do Cabo de Santo Agostinho (PE), onde o corpo de um amigo falecido se encontrava. Era o velório do querido Marquinhos, o Luzarcus. Cheguei como que guiada, fui até o pessoal lá atrás da tribuna, pedindo para usar o microfone. Tinha feito um texto que escorreu pelos meus dedos ao digitar e não poderia deixar de levar para ser lido. Era um último adeus.
Assim aconteceu e todos receberam bem a ideia. Apesar das imagens fictícias geradas, parece que as pessoas ali, leigas e religiosas das diversas tradições, processaram bem a reflexão, que na verdade tem fundamentação espírita, amparado pela Física Quântica.
Segue o texto:
Estive pensando sobre o porquê de ser inacreditável saber da morte de um ser humano como Luzarcus. E acho que se eu não entendi ainda, estou chegando perto…
Compreendi que a graciosa, alegre, impetuosa e irreverente personalidade de Luzarcus é tão presente que nos traz para esse momento, em que nos colocamos por trás do véu da ilusão do existir no plano Terra como seres materiais. E enxergamos um pouco mais daquilo que há no outro lado do véu…
É inacreditável dizer que Luzarcus “morreu”, assim com a palavra entre aspas mesmo, porque sinto que ele só se mudou para uma casa que já era dele e vai aproveitar para fazer uma reestruturação da vida, aí se hospedou num SPA da alma.
Ele se acordou, por detrás do véu, num dia claro, e se viu numa plantação de lavandas. Se deitou nessa relva e olhou para o firmamento dizendo para si mesmo: “Estou vivo”! E então percebeu que a conexão com tudo aquilo que lhe atrai continua… pessoas e coisas a realizar.
Graças a esse “inacreditável” é que o impossível acontece. E rompe a barreira das impossibilidades. Por tudo isso é que tendemos a não acreditar que ele se foi. Principalmente, porque de fato não morremos, e sabemos disso no fundo do nosso ser, do nosso self. Apenas nos transferimos para um SPA da alma para um tratamento que envolve agora nosso EU MAIOR. E quando estivermos bem de novo, voltaremos a agir com tudo aquilo que nos atrai.
Resta-me pedir ao Alto que a arte, a benevolência, a empatia, a coragem para as lutas, o senso de justiça e de pertencimento às causas que ele se envolvia continuem a nos permitir estarmos perto de Luzarcus. E nunca acreditar que ele morreu, mas que precisa estar, por enquanto, no SPA da alma para em breve iniciar uma nova jornada.
Receba nosso carinho e fique em paz porque estaremos em paz por você! Luzarcus presente!
*Tereza Soares é jornalista, poetisa e psicopedagoga. Membro da Academia Cabense de Letras.
Foto destaque: Jaqueline Pereira.
NOTA DO EDITOR: Antônio Marcos Mendes da Cruz, o Luzarcus, encantou a muitos com a sua arte. Artista plástico renomado, suas esculturas embelezam ambientes públicos e lares pelo Brasil afora e em outros países. Por sua dedicação às artes, recebeu o título de Embaixador da Cultura Cabense. Ele faleceu ontem, por complicações decorrentes de um AVC.
